IA viabiliza diagnósticos mais precisos e tratamentos personalizados na saúde brasileira

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E se médicos pudessem prever doenças antes mesmo dos primeiros sintomas? Com a inteligência artificial (IA), esse cenário já começa a se tornar realidade. E não para por aí. A tecnologia está transformando a forma como diagnósticos são feitos, tratamentos são personalizados e pacientes são acompanhados, com mais precisão e eficiência para a saúde no Brasil.

Diego Aristides, cofundador da Stellula, empresa especializada em deep tech, destaca que uma das principais utilizações da IA é auxiliar no cruzamento de dados clínicos para viabilizar tratamentos personalizados. “A tecnologia analisa o histórico do paciente, sua resposta a tratamentos anteriores e outros fatores individuais para recomendar abordagens mais eficientes. Para ilustrar isso, imagine um paciente triatleta com uma lesão grave. Hoje, a medicina tradicional seguiria um protocolo padrão para sua recuperação, mas a IA pode considerar seu histórico esportivo, sua resistência física e sua resposta a tratamentos anteriores para recomendar um plano personalizado que acelere sua reabilitação”, explica.

Essa nova realidade positiva  influencia na aceitação global da IA na saúde. Segundo uma pesquisa recente do Capgemini Research Institute, 67% dos consumidores em todo o mundo acreditam que poderiam se beneficiar de aconselhamento médico por meio da inteligência artificial generativa. Além disso, 63% dos consumidores estão entusiasmados com as possibilidades dela na descoberta e desenvolvimento de medicamentos mais rápidos e precisos.

Um exemplo prático dessa nova realidade é a Sami, healthtech brasileira que usa esse tipo de tecnologia para otimizar o atendimento médico. “A IA generativa da Sami automatiza resumos de consultas médicas com 81% de aprovação sem necessidade de edição, poupando mais de 900 horas mensais dos coordenadores de cuidado e aprimorando a qualidade das informações para os médicos”, comenta Paula Rabello, Chief Product Officer da Sami Saúde.

De acordo com Rabello, o projeto está resultando em uma economia significativa de tempo e recursos. Afinal, as soluções de IA não apenas melhoram a eficiência, mas também liberam os coordenadores de cuidado de tarefas administrativas, permitindo que se concentrem no que realmente importa: o atendimento ao paciente. Priscila Toledo, especialista no mercado financeiro e cofundadora da Stellula, ressalta que essa otimização vai além da gestão de tempo e impacta também na alocação de recursos e redução de desperdícios. “A tecnologia torna a operação mais eficiente, permite um melhor uso dos recursos disponíveis. Isso é relevante em um setor onde equilibrar custos e qualidade no atendimento é um desafio constante”, afirma.

Além de aprimorar diagnósticos e agilizar atendimentos, a tecnologia também está abrindo caminho para uma abordagem mais preditiva e integrada na medicina. Aristides destaca que a convergência entre IA, Digital Twin e análise preditiva será fundamental nos próximos anos. O conceito de Digital Twin – uma réplica digital do corpo do paciente baseada em exames e dados clínicos – permitirá simular tratamentos, prever respostas a medicamentos e testar abordagens terapêuticas sem riscos, trazendo avanços especialmente para áreas como oncologia e cirurgias complexas.

Para os próximos anos, a aposta é de que a inteligência artificial se torne uma aliada dos profissionais de saúde, potencialize a tomada de decisão e amplie as possibilidades de tratamento. “Acreditamos que a tecnologia está a favor do humano. Ou seja, não substituirá os médicos, mas atuará como uma aliada na prevenção e no tratamento de doenças”, conclui Paula Rabello.

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