Anvisa aprova nova terapia para insuficiência cardíaca com Dapaglifozina

A insuficiência cardíaca (IC) é uma doença crônica e que afeta cerca de 64 milhões de pessoas mundialmente, com previsão de que esse número dobre até 2030. No Brasil, a quantidade de pacientes chega a 4 milhões. A condição pode ser definida como uma síndrome na qual o coração é incapaz de bombear sangue de acordo com as necessidades metabólicas. Para o tratamento de pacientes com insuficiência cardíaca crônica (NYHA II-IV), independente da fração de ejeção (FE), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a ampliação da indicação da molécula dapaglifozina – bloqueadora de transporte de sódio-glicose 2 (SGLT2), com base nos resultados do ensaio de Fase III DELIVER.

O tratamento ampliado traz uma nova perspectiva para os pacientes de IC. Além da indicação para casos de fração de ejeção reduzida (ICFER) em todo o espectro de fração de ejeção ventricular esquerda, aprovada em 2022, a nova aprovação inclui casos de IC com fração de ejeção preservada (ICFEP). No primeiro tipo da doença (ICFER), há dificuldade de bombear o sangue para fora do coração. Já no segundo (ICFEP), e de difícil diagnóstico, o músculo cardíaco não consegue relaxar a fim de permitir a entrada suficiente de sangue para depois ejetá-lo para o restante do organismo4.

“Os pacientes com insuficiência cardíaca não só apresentam maior risco de morte e hospitalizações, mas passam por uma complexa jornada, com limitações físicas, e baixa qualidade de vida. Além disso, a doença quase sempre tem relação direta com outras condições como diabetes, hipertensão e doença renal crônica (DRC). Diante disso, a ampliação da indicação do uso de dapaglifozina traz uma nova perspectiva de tratamento para esses pacientes. Temos a expectativa de que cerca de 1 milhão de pessoas possam se beneficiar dessa nova terapia no Brasil”, afirma Karina Fontão, Diretora Médica da AstraZeneca Brasil.

Atualmente, a IC tem alto nível de mortalidade, comparado ao dos cânceres mais comuns4. Porém, se diagnosticada no início e por meio de intervenção e tratamento otimizados, é possível melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Aprovação e estudo

A aprovação pela Anvisa para a nova indicação da molécula foi baseada nos resultados do ensaio de Fase III DELIVER. A análise agrupada pré-especificada dos ensaios de fase III DELIVER e DAPA-IC também estabeleceram dapaglifozina como um medicamento para IC a demonstrar benefício de mortalidade em toda a faixa de fração de ejeção. O DELIVER é o maior ensaio clínico, até o momento, em pacientes com IC com fração de ejeção ventricular esquerda acima de 40%, com 6.263 pacientes randomizados.

O estudo contou com metodologia, randomizada, duplo-cego, de grupos paralelos, controlado por placebo, orientado por eventos de fase III, projetado para avaliar a eficácia da molécula, comparado com placebo, no tratamento de pacientes com IC com fração de ejeção ventricular esquerda maior que 40%, com ou sem Diabetes Tipo 2.

O desfecho primário composto foi o tempo até a primeira ocorrência de morte cardiovascular (MC), hospitalização por IC ou uma visita urgente de IC. Os desfechos secundários chave incluíram o número total de eventos de IC e MC, mudança da linha de base na pontuação total de sintomas do Kansas City Cardiomyopathy Questionnaire (KCCQ) em oito meses, tempo até a ocorrência de morte cardiovascular e tempo até a ocorrência de morte por qualquer causa.

Related posts

Philips escolhe AWS como provedora preferencial de nuvem para impulsionar inovação em saúde digital

Bayer leva ao Supremo dos EUA discussão sobre advertência de câncer em herbicida Roundup

Nova norma trabalhista responsabiliza empresas pela saúde mental dos funcionários