Cirurgias ortopédicas: uma análise sobre a evolução desses procedimentos e seus diferentes métodos

A ortopedia é uma das áreas da medicina que mais evoluiu no Brasil nas últimas décadas, impulsionada pelo avanço tecnológico e pela busca por intervenções menos invasivas.

Embora muitos procedimentos ainda sejam feitos por meio da técnica convencional (cirurgias abertas), as intervenções realizadas por vias videolaparoscópicas e robóticas já são o futuro de uma especialidade que segue em expansão, em nível nacional.

Traçando uma linha do tempo, temos as cirurgias abertas como as precursoras na área da ortopedia, desde que esses procedimentos começaram a ser realizados no país, na década de 40. E então, no início dos anos 2000, as cirurgias videolaparoscópicas, já adotadas por outras especialidades, tornaram os procedimentos ortopédicos, como as artroscopias e os tratamentos de lesões articulares, menos invasivos.

Mas foi com o advento da robótica e sua aplicação na ortopedia, em 2021, que procedimentos mais complexos, como as artroplastias de joelho, se tornaram uma realidade no Brasil.

Cirurgias convencionais abertas

A cirurgia aberta foi, por muitos anos, a única opção para tratar fraturas complexas, lesões ligamentares, artroses severas e outras condições ortopédicas. E embora esse método tradicional ainda seja utilizado no país, ele envolve uma incisão ampla para permitir que o cirurgião tenha acesso direto à estrutura óssea ou articular afetada.

Entre outros aspectos, apesar de ser uma técnica consolidada, amplamente estudada e utilizada, a cirurgia aberta pode resultar em maior agressão aos tecidos, o que aumenta a dor pós-operatória, o tempo de internação, recuperação e reabilitação, bem como algumas complicações associadas à cicatrização.

Cirurgias laparoscópicas

Com o desenvolvimento de equipamentos médicos e técnicas cirúrgicas mais sofisticadas, a cirurgia minimamente invasiva revolucionou a ortopedia. A artroscopia e a videolaparoscopia permitiram que procedimentos fossem realizados por meio de pequenas incisões, utilizando câmeras e instrumentos especializados para acessar e tratar articulações e outras estruturas.

Menor trauma cirúrgico, redução das complicações, menos cicatrizes e menor impacto estético estão entre as vantagens da videolaparoscopia. Entretanto, esse método não pode ser aplicado a todos os casos, como os de artroplastia, que é mais complexa e requer equipamentos mais avançados como apoio para sua realização.

Cirurgias robóticas

Considerado o método mais inovador em função de sua efetividade e precisão, a cirurgia robótica, realizada com o apoio de plataformas como o ROSA®, é uma revolução na ortopedia ao permitir que os procedimentos sejam, além de minimamente invasivos, personalizados de acordo com a anatomia de cada paciente, sobretudo, quando as articulações do joelho precisam ser substituídas por implantes – uma intervenção comum nos casos de artrose avançada.

O robô oferece uma série de vantagens, como a possibilidade de se fazer um planejamento pré-operatório em 3D, assim como obter informações intraoperatórias, em tempo real, sobre a anatomia do paciente, com muito mais precisão quando comparado à instrumentação convencional. Com isso, é possível diminuir o tamanho dos cortes e o impacto dos procedimentos, ao preservar os tecidos que revestem as articulações.

Comprovados seus benefícios, como a precisão extrema, o melhor alinhamento e encaixe perfeito das próteses, e a durabilidade estendida desses implantes, a cirurgia robótica tende a se popularizar e se tornar disponível para um maior número de pacientes nos próximos anos. Outras contribuições tecnológicas, como o avanço da IA, da realidade aumentada e das impressões 3D devem também revolucionar a especialidade, tudo isso pela saúde e melhor qualidade de vida dos pacientes.

Carmen Alonso, Diretora de Marketing da Zimmer Biomet na América Latina.

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