OPAS quer fortalecimento do SUS para atingir metas de desenvolvimento

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) defende o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) para que o Brasil atinja os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), relacionados ao tema. O país é um dos 194 signatários das metas de promoção da saúde e bem-estar estabelecidas pelas Nações Unidas para o ano de 2030.

Para analisar os avanços e os desafios do SUS, a Opas lançou o documento 30 anos de SUS – Que SUS para 2030?, nesta quinta-feira,11. Em parceria com especialistas e profissionais que atuam na área, o organismo traz várias recomendações estratégicas para gestores com o objetivo de fortalecer o SUS.

Entre as principais conquistas do sistema nas últimas décadas, a entidade lista o fortalecimento do programa nacional de imunização, reconhecido internacionalmente, e a ampliação da oferta de médicos em regiões vulneráveis. O estudo aponta ainda os principais desafios e possíveis obstáculos para que o Brasil alcance as metas da Agenda 2030, entre eles, o “subfinanciamento crônico” do SUS, agravado pela crise econômica e pelo controle rigoroso dos gastos públicos, além da fragmentação do sistema entre os estados e municípios.

Para consolidar os avanços e suprir os gargalos, o estudo sugere a expansão e consolidação da atenção primária de saúde, que reúne unidades de saúde acessíveis aos pacientes e oferece vários procedimentos de diagnósticos e terapêuticos. Nesta etapa, o cidadão pode ter acesso a serviços de promoção à saúde, de prevenção, como vacinação e planejamento familiar, além de ações de controle de doenças crônicas e cuidados paliativos.

Segundo a OMS, uma atenção primária de saúde forte apresenta melhores resultados e maior qualidade de atendimento no primeiro contato com o paciente em comparação a outros modelos e também está apta para encaminhar os casos de maior gravidade para outros níveis de atenção do sistema de saúde.

A Opas destaca no relatório que a Estratégia de Saúde da Família contribui para a expansão da cobertura de atenção primária e é eficaz na ampliação do acesso à saúde e na diminuição de internações evitáveis, além da redução da mortalidade infantil e materna por causas preveníveis.

O balanço mostra que é necessário aprimoramento na legislação a fim de evitar o uso excessivo do Poder Judiciário para resolver problemas de atenção à saúde no SUS. Além disso, a Opas avalia que as instituições de saúde devem fortalecer suas funções de regulação para garantir o acesso igualitário à Justiça e aos tratamentos não previstos no SUS.

Infância

O relatório também alerta que o país ainda tem taxas muito altas de mortalidade infantil e que as políticas de proteção da infância devem ser priorizadas pelos gestores federais, estaduais e municipais para que o país retome o ritmo de queda nas mortes de crianças registrado antes de 2016.

O documento avalia que o SUS chega aos 30 anos em um momento de incertezas em relação às emergências decorrentes de epidemias como a do zika, que atingiu o país em 2015. A Opas reitera que é preciso identificar as lições aprendidas com o zika e declara que “o fortalecimento do SUS é a melhor solução possível para proteger a população brasileira de situações catastróficas determinadas por ameaças epidêmicas”.

O trabalho da Opas ainda traz recomendações relacionadas ao controle do tabagismo, à política de acesso universal a medicamentos, ampliação do cuidado e das ações comunitárias em saúde mental; ao desenvolvimento de produtos e inovação tecnológica em saúde e trajetórias, além do desafio de garantir a prevenção, assistência e tratamento do HIV/Aids e suas comorbidades mais comuns, como hepatites virais e tuberculose. As informações são da Agência Brasil.

Related posts

Philips escolhe AWS como provedora preferencial de nuvem para impulsionar inovação em saúde digital

Bayer leva ao Supremo dos EUA discussão sobre advertência de câncer em herbicida Roundup

Nova norma trabalhista responsabiliza empresas pela saúde mental dos funcionários