Open health rumo à Saúde 5.0 depende de sistemas integrados

Assim como o open finance envolve o compartilhamento seguro de dados financeiros entre consumidores, instituições financeiras e prestadores de serviços terceirizados, o open health, por sua vez, é um movimento que visa possibilitar que os dados de saúde, incluindo os prontuários médicos, exames e resultados de procedimentos sejam compartilhados de forma segura e eficiente entre diferentes participantes do sistema de saúde: hospitais, clínicas, laboratórios, operadoras de planos de saúde e profissionais da área.

Em ambos os casos, é necessária a autorização do cliente e do paciente para que isso realmente possa ser aplicado. Do lado dos prestadores de serviços, é necessário que o seu back office esteja em pleno funcionamento e as suas aplicações de software estejam plenamente integradas entre si para realizar a troca de dados das pessoas relacionados ao compartilhamento de informações para tanto o open finance quanto open health sejam efetivos.

Vamos avançar com o tema Open Health, objeto de nossa conversa aqui.

A proposta do open health com o compartilhamento de dados é garantir a melhoria da qualidade do atendimento a partir do acesso ao prontuário do paciente pelo profissional de saúde de qualquer unidade médica, a qualquer momento e com informações sempre atualizadas. Para que isso ocorra, necessita de duas ações básicas: a autorização do paciente para este compartilhamento é que os sistemas de software das instituições médicas possam se comunicar entre si.

Obter a autorização do paciente é a parte mais fácil deste ecossistema, mas a integração pode ser também garantida a partir da colaboração entre os participantes deste setor para o uso de tecnologias dedicadas a esta finalidade e cumprimento de padrões regulatórios relacionados, como o HIPAA (Health Insurance Portability and Accountability Act), que é o conjunto de normas que organizações de saúde norte-americanas devem cumprir para proteger as informações e adotado em vários países, inclusive por várias instituições médicas brasileiras.

Em um artigo recente abordamos a necessidade da integração de sistemas para garantir a telemedicina no SUS – Sistema Único de Saúde e a ideia aqui é a mesma: ao promover a comunicação entre sistemas e automatizar o fluxo de informações, as instituições médicas fortalecem o aproveitamento dos Sistemas de Administração de Pacientes (PAS), Sistemas de Gestão Eletrônica de Consultórios (EPM) e Sistemas de Informações Laboratoriais (LIS).

Ao entregar informações sempre atualizadas e em tempo real conseguem garantir o melhor atendimento a seus pacientes a partir de um prontuário atualizado e digital, evitando novos exames ou procedimentos desnecessários, além de reforçar as melhores práticas nos processos de coleta, tratamento e manuseio de dados de acordo, privacidade dos dados e em concordância com as normas regulatórias do segmento.

O open health depende desta integração, e quando falamos em Saúde 5.0, que é o modelo proposto para garantir a implantação em larga escala de tecnologias no setor para colocar o paciente no centro das prioridades, estamos necessitando ir além da ideia dos sistemas integrados, mas que a de melhorar os processos de atendimento e de tomadas de decisões, tanto dos profissionais médicos como dos gestores públicos e privados da Saúde.

Para garantir a Saúde 5.0, diferentes sistemas e dispositivos inteligentes devem estar conectados entre si para oferecer informações cada vez mais rápidas e atualizadas. Como o crescente uso da inteligência artificial (IA), internet das coisas (IoT) e wearables (dispositivos vestíveis usados pelos pacientes), a integração entre estes sistemas deve ser altamente eficiente, caso contrário, os dados podem ficar desatualizados e, com isso, resultar em erros indesejáveis em toda a cadeia da saúde.

Essa combinação entre open health e Saúde 5.0 visa, em última, instância, permitir que o paciente possa realizar consultas e acompanhamentos à distância; ter acesso facilitado ao seu prontuário eletrônico; existir total conexão entre paciente e médicos; melhor orientação aos profissionais da saúde; e compartilhamento de informações ainda mais ágeis e seguras, incluindo contra ameaças de ataques cibernéticos.

A integração de dados e sistemas de software do Open Health rumo à Saúde 5.0 é um processo complexo que envolve diversas etapas:

  • Definição de padrões e protocolos de interoperabilidade para garantir que os dados possam ser compartilhados de maneira segura e eficiente entre diferentes sistemas utilizados pelos participantes do sistema de saúde;
  • Implementação de padrões e protocolos de interoperabilidade envolvendo a adaptação dos sistemas para que eles possam se comunicar entre si;
    ·      Integração dos dados e sistemas de software para garantir a consolidação dos dados em um único repositório e a definição de fluxos de trabalho para possibilitar o compartilhamento dos dados previstos no open health.

A integração de dados e sistemas de software, para o Open Health garantir a Saúde 5.0, deve ocorrer em processo contínuo e os benefícios serão muitos e irão contribuir para a melhoria da qualidade, eficiência e equidade do sistema de saúde brasileiro.

*Rodney Repullo é CEO da Magic Software Brasil.

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