Hospital Moinhos de Vento ultrapassa 56 mil teleatendimentos em projetos do PROADI-SUS

Reduzir o tempo de espera para consultas nos serviços especializados, ampliando o acesso à saúde da população, além de compartilhar experiências e contribuir para os melhores desfechos clínicos por meio da telemedicina. Projetos liderados pelo Hospital Moinhos de Vento e que fazem parte do Programa de Apoio e Desenvolvimento Institucional do SUS (PROADI – SUS) chegaram a 56.036 atendimentos, entre 2018 e 2020.

A agilidade no atendimento e a elevada taxa de resolução dos problemas são atestadas pelos números e pelos resultados alcançados no período. Conforme o coordenador médico de Saúde Digital do Hospital Moinhos de Vento, Felipe Cabral, as equipes multidisciplinares realizam rounds diários entre os profissionais que trabalham no Hospital Moinhos e os médicos e os enfermeiros dos hospitais que participam do projeto.  “Além de facilitar o atendimento em algumas especialidades, estamos levando qualificação e conhecimento a várias instituições de saúde do Brasil”, destaca.

O superintendente executivo do Hospital Moinhos de Vento, Mohamed Parrini, enfatiza a relevância do PROADI-SUS como modelo de parceria entre os setores público e privado no Brasil. “Está no nosso DNA cuidar de vidas, e isso não se faz apenas dentro das paredes do nosso Hospital. Tudo o que aprendemos ao longo da nossa história é compartilhado com centenas de instituições de saúde públicas e filantrópicas do nosso país. Temos uma forte relação com a comunidade e trabalhamos para melhorar as condições de vida de toda a população”, afirma.

Mais agilidade

Para ampliar o acesso de pacientes do SUS ao diagnóstico oftalmológico, foi criado o Projeto TeleOftalmo que auxilia na redução da fila dessa especialidade no Rio Grande do Sul. A iniciativa é desenvolvida em parceria com o TelessaúdeRS. A implementação do Teleoftalmo ajudou a solucionar 70% dos casos no Rio Grande do Sul sem necessidade de consulta presencial — o maior número de casos foram erros de refração. Participam desse projeto os municípios de Porto Alegre, Santa Rosa, Farroupilha, Pelotas, Santa Cruz do Sul, Passo Fundo e Santiago. Foram 30.315 atendimentos.

As estruturas dos consultórios remotos contam com equipamentos capazes de realizar a maioria dos diagnósticos oftalmológicos, como retinopatia diabética, catarata e erros de refração. Esses consultórios são coordenados à distância por oftalmologistas do Telessaúde RS e do Hospital Moinhos, responsáveis por orientar e supervisionar a realização dos exames, e são operados localmente por uma equipe de técnicos de enfermagem e enfermeiros.  Por meio do Teleoftalmo houve ainda a doação de 10.152 pares de óculos aos pacientes atendidos, de acordo com a meta estabelecida junto ao Ministério da Saúde.

Compartilhando experiências

Criado para apoiar profissionais da equipe multidisciplinar de hospitais participantes, o TeleUTIP tem por objetivo ajudar as equipes a buscarem os melhores desfechos clínicos, levando em conta a realidade local. A partir do Centro de Comando localizado no Hospital Moinhos de Vento, os médicos e equipe multidisciplinar especializados em terapia intensiva se conectam com a equipe assistencial local remota e avaliam, através de protocolos clínicos preestabelecidos, todos os pacientes internados à beira do leito. Um dos resultados destacados foi a redução de 50% na mortalidade do Hospital Geral de Palmas Dr. Francisco Ayres (TO).  No total, foram 16.001  teleatendimentos no período.

Para a lavadeira Lucélia Barbosa da Silva, 36 anos, o atendimento recebido por Ana Luiza, 11, foi fundamental para a recuperação da menina, que por três meses ficou internada para tratar uma bactéria. “Ajudou bastante, sim. Ela conta que chegou a conversar com os médicos de fora que ajudaram no tratamento”, contou a moradora de Oliveira de Fátima, cidade que fica na região metropolitana de Palmas.

O TeleUTIP começou em 2018, em Palmas, e no Hospital Regional Norte, em Sobral (CE). Em 2019, foi realizado no Hospital Federal Cardoso Fontes (RJ). Em 2020, o projeto começou a ser executado no Hospital Martagão Gesteira, em Salvador (BA). Para este ano, a meta é expandir o projeto para mais 11 unidades pediátricas, mais três UTIs neonatais e três UTIs adultas.

Gestão remota

O Regula+Brasil Colaborativo utiliza a regulação à distância para avaliação dos encaminhamentos dos serviços da Atenção Primária à Saúde para consultas médicas em serviços especializados, com base nos protocolos do Ministério da Saúde. O principal objetivo é evitar encaminhamentos desnecessários aos especialistas, adequar a prioridade das consultas e reduzir o tempo de espera.

O projeto iniciou a atuação em Recife, em maio de 2020, de forma colaborativa entre cinco hospitais de excelência — Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Hospital Albert Einstein, HCor, Hospital Moinhos de Vento e Hospital Sírio Libanês, disponibilizando além da telerregulação, consultorias em tempo real e teleconsultas — essas últimas incluídas nas ações do projeto devido ao início pandemia de COVID-19. As especialidades atendidas são Cardiologia, Endocrinologia, Neurologia, Reumatologia e Traumatologia e Ortopedia.

De maio a dezembro de 2020, foram realizadas 45.459 ações de regulação, 94 consultorias em tempo real e 2.902 teleconsultas pela equipe do projeto colaborativo. O Net Promoter Score (NPS), uma ferramenta que permite mensurar satisfação e lealdade dos pacientes atendidos, foi de 87. O Hospital Moinhos de Vento foi responsável por 9.126 regulações e 594 teleconsultas de Cardiologia (70,4%) e Neurologia (29,6%) nesse período. As ações do Regula+Brasil Colaborativo permitiram avaliação de pacientes e otimização de tratamentos à distância, mais agilidade na regulação dos casos de alta prioridade para consulta presencial, suporte às equipes da atenção primária e secundária que restringiram suas atividades, e redução dos deslocamentos desnecessários dos pacientes durante a pandemia e o lockdown.

A análise dos indicadores, realizada em março de 2021, mostrou redução de 60% no tempo médio em dias de espera dos casos regulados como prioridade alta para consulta; queda de 30% no número de novos encaminhamentos em fila de espera; aumento de 1,6 vezes na taxa de encaminhamentos aprovados na primeira avaliação. Os resultados são ainda parciais, mas já demonstram a importância das ações do projeto para os usuários e os serviços do SUS.

Proadi

O PROADI-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde) foi criado em 2009 com o propósito de apoiar e aprimorar o Sistema Único de Saúde (SUS) por meio de projetos de capacitação de recursos humanos, pesquisa, avaliação e incorporação de tecnologias, gestão e assistência especializada demandados pelo Ministério da Saúde. Hoje, o programa reúne seis hospitais brasileiros referências em qualidade médico-assistencial e gestão: Hospital Alemão Oswaldo Cruz, HCor, Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Moinhos de Vento e Hospital Sírio-Libanês.

Os projetos do PROADI-SUS levam à população a expertise dos hospitais em iniciativas que atendem necessidades do SUS. Entre os principais benefícios do PROADI-SUS, destacam-se: redução de filas de espera; qualificação de profissionais; pesquisas do interesse da saúde pública para necessidades atuais da população brasileira; gestão do cuidado apoiada por inteligência artificial e melhoria da gestão de hospitais públicos e filantrópicos em todo o Brasil.

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