Teste que identifica até 5 variantes do coronavírus foi desenvolvido com apoio de inteligência artificial

O emprego da inteligência artificial permitiu que em vez de um ano, um teste para identificação do vírus selvagem e de até cinco variantes fosse desenvolvido em poucas semanas, o que é vital quando se trata de combater a pandemia causada pela COVID-19. A informação é do CEO da Seegene Inc., empresa coreana responsável pela venda de dez milhões de kits de PCR à Organização Panamericana de Saúde – OPAS – com recursos do Ministério da Saúde. Recentemente, o dr. Jong-Yoon Chun anunciou que os testes de diagnóstico multiplex produzidos com a nova tecnologia “podem inclusive identificar novas variantes”.

O especialista explica que o diagnóstico molecular baseado em PCR em tempo real é considerado o padrão ouro para os testes, mas que a tecnologia convencional é aplicada na detecção de uma única variante. O desafio era conseguir um teste que num único tubo permitisse a identificação das várias mutações, inclusive as que vierem a ocorrer.

“A incorporação da Inteligência Artificial acelerou o processo de desenvolvimento, desenhando e otimizando os reagentes e realizando avaliações clínicas”, diz Jong-Yoon Chun, facilitando o processo de desenvolvimento de produtos. Ele se refere a produtos no plural, porque a implementação da nova tecnologia permitirá o desenvolvimento de novos reagentes para o diagnóstico de outras doenças infecciosas, cânceres e da resistência a fármacos, já que o desenvolvimento de testes de RT-qPCR será automatizado e localizado.

Para o CEO da Seegene, a lição apreendida em decorrência da disseminação de variantes preocupantes é que seria preciso reformular a maneira de lidar com a pandemia. “É preciso ser ágil na resposta ao vírus, com testes diagnósticos para identificar as cepas mais contagiosas”. Mesmo com o avanço da vacinação no mundo, “será preciso diagnosticar as pessoas antes e depois de receber a vacina, para saber se são portadores assintomáticos de COVID-19 e o nível de eficácia das vacinas. Por isso será necessário continuar usando por um bom tempo os testes diagnósticos.

Ele é otimista quanto ao futuro. Ele entende que em alguns anos o diagnóstico molecular será parte do cotidiano em todos os países “e quando isso acontecer, seremos capazes de prevenir não só pandemias, mas muitos tipos de doenças”.

Concluindo, Jong-Yoon Chun afirma que embora entre três a cinco anos seja provável que enfrentemos outra crise sanitária como essa, o desenvolvimento das empresas de biotecnologia é tão rápido, que a próxima pandemia não será motivo de preocupação. “Podendo fazer os testes de diagnóstico molecular em qualquer lugar, em casa, no trabalho, na rua, identificaremos uma epidemia e rapidamente produziremos as armas para vencê-la ainda nos estágios iniciais da doença”.

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