Mais de 96% dos médicos generalistas pensam em se especializar, diz pesquisa

O Research Center, núcleo de pesquisa da Afya, ecossistema de educação nas áreas de saúde e heathtechs, divulgou a segunda edição da pesquisa “Panorama Financeiro do Médico em 2022”. O estudo feito com 3.184 profissionais de diversas áreas mostrou que 96,5% dos médicos generalistas pretendem se especializar e que o investimento em atualização por meio de cursos, workshops e congressos foi uma realidade para 85,1% dos médicos em 2022. Eles apontam que, em média, investiram R$ 12 mil reais para essa finalidade durante o período. Essa média varia de acordo com o nível de especialização: os pós-graduandos foram os que mais investiram em atualização, com uma média três vezes maior do que médicos residentes.

“Os resultados mostram que cada vez mais os médicos buscam especialização e atualização em suas carreiras, seja para trabalhar nas áreas de interesse, ou até mesmo para almejar melhores salários. A Afya, como parceira do médico em toda a sua jornada, entende a importância de apoiar o dia a dia deste profissional, desde o seu trabalho nas clínicas, consultórios e hospitais, até a gestão de rotina e desafios financeiros, contribuindo para a evolução da carreira e melhores condições de vida”, afirma Eduardo Moura, médico, cofundador da PebMed e diretor de pesquisa do Research Center.

A pesquisa ainda apontou que os médicos entrevistados trabalham, em média, 52 horas por semana, sendo que o trabalho em plantões é uma realidade para a maior parte deles: seis em cada dez disseram trabalhar neste formato atualmente por conta do retorno financeiro, três em cada dez têm ganhos superiores a 76%, podendo chegar a até 100% dos seus salários líquidos mensais.

De acordo com o estudo, a renda mensal líquida dos entrevistados é de R$ 19 mil, sendo que os médicos especialistas possuem a maior renda, com uma média de R$ 22 mil, se comparados aos médicos generalistas, com uma média de R$ 16 mil. As médias salariais e suas diferenças se mantêm desde a pesquisa anterior. Dos entrevistados, 72,4% não estão satisfeitos com seus salários – eles declaram considerar justo receber entre 11% e 50% a mais por mês, sendo um aumento médio de 41,32% no que ganham atualmente.

Organização financeira

A pesquisa também apontou que, para a manutenção de seu estilo de vida, mais da metade dos médicos diz gastar entre R$ 5 mil e R$ 15 mil todos os meses. Dos entrevistados, cerca de 30% dos médicos não conseguem poupar nada e outros 30% poupam menos de 10% da renda líquida todos os meses, mostrando ainda que cerca de 72% do salário está comprometido com gastos fixos, valor similar ao apresentado na pesquisa anterior (71%). Além disso, 39,8% dos médicos brasileiros contam como suas despesas fixas as atualizações para sua carreira, incluindo pós-graduação e educação continuada.

Mas há ainda falta de conhecimento sobre investimentos financeiros: quase 60% dizem não ter clareza de como fazer investimentos focados nos seus objetivos; e três em cada dez médicos afirmam não utilizar nenhuma ferramenta de auxílio para controle e gestão das finanças. Além de que 50% dos entrevistados não conseguiriam ficar mais de 3 meses sem trabalhar sem contrair dívidas.

O estudo de abrangência nacional foi realizado entre os dias 30 de janeiro e 6 de março deste ano, com 3.184 participantes, sendo mais da metade médicos especialistas (57,4%), seguido de 27,7% de médicos generalistas, 10,2% médicos residentes e 6,7% fazendo pós-graduação para se especializarem. Para uma população estimada de 562.229 médicos no Brasil, a amostra apresenta um nível de confiança de 95% com margem de erro de 1,7 ponto percentual. Com um método quantitativo a partir de pesquisa transversal, foi utilizado como instrumento de coleta um questionário online estruturado.

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