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Brasil já conta com 542 startups de saúde

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Atualmente, o Brasil conta com 542 healthtechs, como são chamadas as startups voltadas para a solução de problemas no setor da saúde. Metade delas possuem menos de cinco anos de operação e ainda estão em seus primeiros estágios de desenvolvimento. Ainda assim, o volume de investimentos aportados nestas empresas brasileiras é significativo: desde 2014, elas receberam US$ 430 milhões, ao longo de 189 rodadas de venture capital. Os dados são da terceira edição do Distrito Healthtech Report, levantamento realizado pela empresa de inovação aberta Distrito e com o apoio da consultoria KPMG.

Realizado ainda em 2018, o primeiro estudo do Distrito sobre healthtechs localizou 248 empresas da área. Na segunda edição, lançada em outubro de 2019, o número saltou para 386. A nova edição revela uma solidificação do setor.  Vale ponderar, entretanto, que tal variação não consiste exatamente no surgimento de novas empresas neste período específico, mas também leva em consideração a uma maior capacidade do Distrito em localizá-las.

“A crise sanitária que vivenciamos neste momento jogou holofotes para o setor, que até mesmo por sua natureza, é extremamente regulado”, comenta Gustavo Araujo, cofundador do Distrito, lembrando da sensibilidade de uma área que, no limite, lida com vidas. “Os gargalos, entretanto, são inúmeros e a tecnologia pode otimizar, com segurança, uma série de processos que até muito recentemente eram completamente analógicos”, completa.

O mapeamento realizado classificou as empresas do setor em 9 categorias distintas, de acordo com a atuação desempenhada por cada uma delas: 1. Acesso à Informação, 2. Gestão e PEP, 3. Marketplace, 4. Medical Devices (focados em dispositivos para prevenção, diagnóstico e tratamento de enfermidades, 5. Telemedicina, 6. Wearables & IOT (tecnologias para o monitoramento de pacientes), 7. Relacionamento com pacientes, 8. Inteligência Artificial & Big Data, e 9. Farmacêutica e Diagnóstico.

De acordo com o sócio-líder na área de saúde da KPMG, Leonardo Giusti, as healthtechs estarão cada vez mais presentes no universo da saúde. “As startups veem para complementar o serviço prestado pelas empresas do setor. As tecnologias que eles apresentam são importantes para agregar informações e deixar todo o processo mais conciso. Veremos cada vez mais essa parceria para a solução de problemas no setor da saúde”, afirma.

Encarado como um dos principais gargalos de setor da saúde no País, a área de Gestão é a que apresenta maior concentração de startups dentre as mapeadas: são 136 (25,1%) delas. Em seguida, estão as empresas que fornecem soluções de Acesso à Informação (17,3%), de Marketplace (13,7%) e, ainda, as de Farmacêutica e Diagnóstico (10,5%).

No que diz respeito à distribuição por Estados, 43,1% das healthtechs estão em São Paulo. Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina aparecem em seguida, com 10%, 9,8%, 8,5% e 7,4%, respectivamente. Chama a atenção a pequena ocorrência de startups voltadas para a área da saúde na região Norte do País, que abriga apenas 0,6% do total.

Juntas, as healthtechs empregam quase 10 mil pessoas no Brasil. Apesar de estarem em uma curva crescente, o número é pequeno quando comparado com outros setores mais consolidados, como os de fintechs e adtechs. Vale ressaltar que 91,7% das empresas deste setor possuem até 50 funcionários.

Acompanhando o cenário do mercado brasileiro de inovação, as healthtechs têm preferência em modelos de negócios que atendem outras empresas. As soluções B2B predominam e representam 48,3%. Em seguida, estão os modelos B2C (31,2%), B2B e B2C (15,9%) e B2B2C (4,6%).

Destaques do setor

O Distrito HealthTech Report aponta ainda quais são as 10 maiores startups do setor, considerando elementos como número de funcionários, visibilidade, investimento captado e faturamento. São elas Sanar, Vitta, Dr. Consulta, Memed, CMtecnologia, Magnamed, Labi, Consulta Já, Vittude e SIM.

Ainda que menos expressivas, lista ainda algumas das healthtechs que apresentaram um crescimento exponencial nos últimos anos, com boa captação de investimentos e ganho de visibilidade em redes sociais – e justamente por isso podem ser encaradas como grandes apostas do setor. Entre elas, temos Alice, Brain4Care, Boa Consulta, Pipo Saúde e Smilink.

Combate ao Covid-19

As healthtechs têm desempenhado um papel muito importante na luta contra a pandemia do Covid-19. O levantamento listou 53 startups que apresentaram aplicações diretas e indiretas de combate ao vírus. “Essas empresas ofertaram ferramentas e soluções para dores que afligem hospitais, médicos, população e governo, ajudando a solucionar problemas que vão desde a identificação de pacientes de maior risco, gerenciamento de leitos e estoque de medicamentos, até a maior visibilidade de dados sobre a disseminação do vírus”, pontua Araujo.

Entre as iniciativas mediadas pelo Distrito, destaque para o programa Cuidando de Quem Cuida de Nós — projeto liderado pela Johnson & Johnson Medical Devices, uma das mantenedoras do Distrito InovaHC, hub de inovação em saúde do Distrito em conjunto com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Junto com as startups Moodar e TNH, o programa tem oferecido apoio psicossocial gratuito a profissionais que estão na linha de frente.

Healthtechs pelo mundo

As análises realizadas pelo HealthTech Report extrapolaram as fronteiras do Brasil. O estudo traz ao público ainda informações sobre as startups do setor espalhadas pelo globo. De acordo com os dados, os investimentos em healthtechs tem crescido nos últimos anos. Desde 2015, já foram aportados, ao todo, US$ 46,5 bilhões.

Pelo mundo, já são 41 healthtechs unicórnios (empresas avaliadas em mais de US$ 1 bilhão), a maior parte delas nos Estados Unidos e na China. Ambos países também reúnem os principais ecossistemas de inovação em saúde, considerando não apenas a concentração de startups, mas também suas performances, tamanhos de financiamentos, alcance de mercado, conectividade, talentos e produção de conhecimento.

Confira aqui o HealthTech Report 2020 na íntegra: https://bit.ly/3fRXAhJ

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