Prescrição médica digital cresce na pandemia

É quase um lugar-comum: o paciente vai ao médico, recebe uma receita para a compra de medicamentos e, na hora de usá-los, tem dificuldade para entender o que diz o papel em suas mãos. Mas essa realidade começou, finalmente, a mudar.

Dados mostram que a regulamentação da telemedicina e as restrições sociais impostas pela pandemia estimularam o crescimento do receituário digital no país – ou seja, a prescrição de medicamentos por meio de um documento online.

Até março de 2020, apenas 22% dos médicos brasileiros possuíam o certificado digital emitido pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil) – necessário para assinar as prescrições. Hoje, esse percentual chega a 57%, ou 552 mil profissionais.

A expansão deve continuar nos próximos anos. “A transformação digital do setor da saúde foi acelerada imensamente pela crise sanitária. E essa é uma tendência que veremos crescer muito daqui em diante”, diz Heldy Cardoso, fundadora da startup Meu Receituário Digital.

A popularização da prescrição online, porém, ainda enfrenta alguns entraves, que dificultam a sua utilização por médicos e dentistas. “São muitas pontas soltas. Diversos profissionais nos relataram dificuldades com o processo de obtenção do certificado digital. Também é preciso encontrar um modelo de receituário e preenchê-lo com a ajuda de um outro software. Por último, ainda é preciso enviar a prescrição ao paciente. Tudo isso os desencoraja”, afirma.

Foi por essa razão que ela criou o Meu Receituário Digital . A plataforma simplifica o processo ao concentrar todas as etapas em um só lugar. Primeiro, auxilia o médico ou dentista na obtenção do certificado da ICP-Brasil. Em até dois dias, o profissional já pode começar a prescrever digitalmente.

Além disso, a plataforma é uma solução simples e móvel. Pode ser usada no computador ou smartphone, onde quer que o médico ou dentista esteja – em casa, no consultório, no hospital e até mesmo fora da cidade. E possui um banco de dados de exames e medicamentos, com registro das posologias, que ajuda a ganhar tempo e permite a exatidão na hora de prescrever.

Com a receita pronta, o profissional pode usar o mesmo sistema para enviá-la aos pacientes via SMS, e-mail e WhatsApp. “Assim, resolvemos problemas como perder a receita ou esquecê-la em casa e não saber quando tomar a medicação. E claro, o mais famoso deles: ter em mãos um papel ilegível”, diz a fundadora do Meu Receituário Digital. “A prescrição estará sempre à mão, com todas as informações disponíveis.”

E, se houver quaisquer dificuldades ao longo do processo, o profissional de saúde contará com o suporte técnico oferecido pela startup.

O receituário digital tem ainda outras vantagens, como reduzir erros, coibir a circulação de receitas falsas e aumentar a rastreabilidade das prescrições. “Diminuímos, também, a circulação de papel, o que traz um viés sustentável em um momento em que empresas e consumidores se voltam cada vez mais ao ESG [sigla em inglês para as melhores práticas ambientais, sociais e de governança]”, afirma Heldy Cardoso.

Esses benefícios, aliados ao estímulo pela transformação digital no setor, devem servir para atrair os profissionais que ainda não se convenceram a adotar o receituário digital.

“Existe ainda, na área médica, uma ideia de que a prescrição online serve apenas para teleconsultas. Queremos incentivar essa mudança também nas consultas presenciais, facilitando a vida de todos e permitindo que o médico dedique mais tempo ao cuidado com o paciente.”

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