Hapvida NDI usa IA na medicina preventiva

A alta complexidade das operações no setor de saúde é uma grande oportunidade para o uso de inteligência artificial (IA) como suporte à tomada de decisões de profissionais que seguem em constante qualificação. Segundo Renan Assunção, head of Data & Analytics da Hapvida NotreDame Intermédica, a ciência de dados pode ajudar a identificar pacientes com doenças crônicas e até mesmo com câncer em meio à extensa rede de clientes. A afirmação foi feita durante o AI&DATA Leaders, realizado em São Paulo. Hoje, a maior empresa de saúde da América Latina possui quase 16 milhões de beneficiários em assistência médica e odontológica e tem investido em soluções tecnológicas e inovadoras para aprimorar o diagnóstico médico.

“Temos investido na rede própria, que já tem 803 unidades entre hospitais, prontos atendimentos, clínicas e laboratórios. Com a verticalização e integração dos sistemas próprios, temos um alto volume de dados e conseguimos acompanhar em tempo real toda a jornada do paciente e estabelecer protocolos e padrões de qualidade. Todos esses fatores corroboram para a geração de dados, o principal insumo para os projetos de inteligência artificial que vão atuar como suporte aos especialistas na identificação de achados críticos”, explicou Assunção.

O grande volume de dados gerados pelos sistemas Hapvida estão organizados em uma base centralizada, o que propicia as condições ideais para o desenvolvimento de algoritmos de IA. O Data Lake atua como um habilitador de soluções de dados tanto para projetos de analytics quanto para projetos de inteligência artificial.

Um dos pilares da Hapvida é a prevenção, daí a importância de se criar um método para identificação prévia de pacientes com doenças crônicas (hipertensão, diabetes, dislipidemia e cardiopatias), todas com alta prevalência na população brasileira.

“A cobertura da jornada do paciente dentro do nosso sistema e a união de todos os dados no data lake house possibilitam o conhecimento de todo o perfil médico do beneficiário e, assim, otimizar os programas voltados à medicina preventiva que vão auxiliar nossos especialistas na investigação diagnóstica. Criamos também uma classificação de risco para priorização de atendimento aos pacientes”, disse.

De acordo com Assunção, a IA permitiu a identificação de cerca de um milhão de pacientes, sendo que 361 mil tem mais de uma comorbidade e outros 157 mil são de alto risco. A grande maioria – 622 mil – é de hipertensos.

Oncologia

O uso da IA não se restringe a doenças crônicas. A Hapvida criou uma ferramenta inteligente que interpreta o texto contido em laudos anatomopatológicos com o objetivo de detectar com antecedência condições malignas, como câncer e lesões pré-cancerígenas.

Cerca de 100 mil exames são analisados por mês referentes a 80 procedimentos distintos. Desse total, mais de três mil casos suspeitos são identificados. “Para isso utilizamos processamento de linguagem natural para interpretar o conteúdo dos laudos escritos por patologistas. Não se trata de uma substituição do profissional, que continua sendo imprescindível, e sim uma rechecagem. A IA auxilia no rastreio de pacientes oncológicos, mas são as equipes médicas as responsáveis pelo tratamento e acolhimento do paciente”, complementa Assunção.

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