Projeto do Vigilantes do Sono recebe investimento de R$ 1,2 milhão da Fapesp

O projeto do Vigilantes do Sono, primeiro programa digital de terapia cognitiva-comportamental para insônia (TCC-I) no Brasil, foi uma das propostas selecionadas na Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e receberá investimento de R$ 1,2 milhão. A chamada foi a primeira em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e escolheu propostas voltadas ao desenvolvimento e à introdução de soluções inovadoras ao mercado.

Intitulado “Fenotipagem inteligente com aprendizado de máquina para personalização terapêutica em programa digital de melhoria do sono”, o projeto da Vigilantes tem como objetivo auxiliar no diagnóstico da apneia do sono, uma das doenças mais subdiagnosticadas do mundo e que afeta cerca de 1 bilhão de pessoas. O estudo Episono do Instituto do Sono, aponta, ainda, que um terço da população adulta sofre com esse problema doença.

Segundo a Dra. Laura Castro, sócia-fundadora da startup, diretora de psicologia e pesquisadora responsável pelo projeto, a ideia é facilitar o diagnóstico da apneia do sono e a identificação de questões de saúde mental, que muitas vezes são silenciosamente causadas ou agravadas por problemas de sono não tratados.

“O diagnóstico e tratamento da apneia pode, além de ajudar as pessoas a se sentirem menos cansadas e mais produtivas, reduzir acidentes de trabalho, prevenir doenças metabólicas e cardiovasculares e proteger as pessoas de tratamentos ineficazes para questões mentais”, destaca. Além disso, Laura aponta que a expectativa é proporcionar acessibilidade ao diagnóstico — que tradicionalmente exige exames custosos — por meio de uma tecnologia que praticamente todos podem usar, o próprio dispositivo celular.

De acordo com a especialista, boa parte da verba será destinada a bolsas, à contratação de pesquisadores e profissionais consultores, que estarão envolvidos em diferentes fases do projeto, tanto no desenvolvimento da tecnologia, como posteriormente em sua calibração e validação. Além disso, há cotas destinadas à compra de materiais, o pagamento de softwares e licenças de serviços e ações de marketing com fins de impulsionar o produto para o mercado.

Com prazo de dois anos para ser desenvolvido, o projeto contará com a participação de pelo menos 12 profissionais e colaboração de voluntários, que serão recrutados via redes sociais e também em ambulatórios e hospitais participantes do projeto. A Dra. Dalva Poyares, uma das maiores especialistas em medicina do sono do Brasil, é mentora do projeto, desde sua concepção, e compõe o conselho clínico-científico da Vigilantes do Sono.

Segundo Poyares, que é reconhecida internacionalmente por seu trabalho na área do sono, a iniciativa tem grande potencial para impactar pacientes que sofrem com a doença, mas que não foram diagnosticados ainda. “O sistema da Vigilantes do Sono tem potencial já comprovado para fornecer terapia cognitivo comportamental para pessoas com insônia, o distúrbio do sono mais frequente. Com o aumento da procura e do acesso ao aplicativo, ao ampliar sua atuação, adicionando tecnologia e técnicas de machine learning para auxiliar na identificação de casos de apneia obstrutiva do sono, a Vigilantes conseguirá proporcionar um sistema de fácil acesso utilizando um smartphone, sendo testado em comparação à poligrafia ou polissonografia. Isso pode representar um avanço na área para utilização em triagem de larga escala”, ressalta Dalva.

“O projeto é um exemplo de que a ciência evolui e as terapias e diagnósticos também. Empregar tecnologias que utilizem aprendizado de máquina permite que tenhamos terapias, diagnósticos que se aprimoram com o tempo para trazer resultados cada vez mais interessantes.”, completa Poyares.

Já para Lucas Baraças, CEO da Vigilantes do Sono, com o projeto espera-se que seja possível mapear com precisão e de forma proativa e custo-efetiva quais pessoas da população geral possuem alto potencial de terem apneia do sono. Para o executivo, ao ser finalizada, a iniciativa poderá proporcionar às empresas de diagnósticos a oportunidade de realizar exames mais assertivos para identificação dessa condição.

“Através da tecnologia, será possível encurtar consideravelmente o tempo de descoberta da doença e, desta forma, impactar positivamente várias frentes. É o caso dos planos de saúde, que poderão gerenciar de forma mais assertiva as condições crônicas de seus clientes, de forma a reduzir a sinistralidade e oferecer benefícios para empresas e clientes, através de aumento de produtividade e redução de absenteísmo e acidentes de trabalho”, ressalta Baraças.

O processo de seleção do programa aconteceu entre outubro e dezembro de 2021. Entre as selecionadas, a Vigilantes do Sono é a única startup voltada ao sono. A finalização do projeto ocorrerá em dois anos e, posteriormente, será incluído como mais uma função no aplicativo da healthtech . Atualmente, a plataforma já conta com mais de 40 mil pacientes atendidos e conseguiu recuperar mais de 1 milhão de horas de sono.

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