Modelo preditivo na saúde suplementar melhora ações de cuidado e de gestão financeira

O segmento da produção de tecnologia para saúde suplementar – operação de planos e seguros privados de assistência médica à saúde – é capaz de fornecer uma infinidade de dados de pacientes, que podem promover um grande impacto não só para a gestão financeira de operadoras e empresas, mas também na prevenção de doenças. No entanto, desde que comecei a trabalhar nessa área, me perguntei porque não era feita uma análise mais detalhada dessas informações.  Por muito tempo, ouvi que os indicadores de sinistralidade olham para o passado e, por isso, pouco poderia ser feito.

Não satisfeita com essa justificativa, me propus a responder a uma pergunta: como modelos preditivos podem ajudar a saúde suplementar a identificar pacientes de alto custo e contribuir com ações de promoção da saúde e prevenção de doenças.

Para a pesquisa, utilizei dados de sinistralidade e de um questionário de saúde aplicado para que funcionários de uma empresa pudessem fazer uma autoavaliação. Após a criação de um único conjunto de dados e da escolha do melhor algoritmo, foi possível obter resultados significativos, com um modelo preditivo capaz de antever com alta assertividade os pacientes com alto custo. Esse algoritmo possibilitou também o entendimento sobre quais características estão associadas aos pacientes de alto custo – o que permite que, quem o utilizar, saiba exatamente quais variáveis estão associadas aos maiores gastos no plano de saúde. Além disso, as variáveis poderão ser usadas como critério para a elegibilidade de pacientes para programas de monitoramento e prevenção, por exemplo.

A importância das ações de prevenção no âmbito da saúde suplementar é amplamente conhecida e a tecnologia será a grande aliada para melhorar a seleção de pacientes para o acompanhamento e entendimento da jornada assistencial, além da compreensão dos custos.

Cuidados preventivos também são aliados da sustentabilidade econômica do setor. Em um cenário em que não há uma visão detalhada – e, mais importante, preditiva – acerca dos pacientes assistidos, a tendência é de aumento de custo e piores desfechos de saúde. Por isso, a busca por soluções inovadoras, que aliam os avanços tecnológicos às necessidades do setor, é uma demanda tão urgente.

A tecnologia se consolidou como uma aliada do gerenciamento desse setor. Só em 2023, foi possível evitar um prejuízo de R$500 milhões em fraudes nas operadoras com apoio da integração de dados, por exemplo. Acredito que, paralelamente aos cuidados em gestão, agora a tecnologia preditiva precisa ganhar mais força nas ações de atenção ao paciente. Com apoio dos dados, mapear o que aquela pessoa precisa e oferecer as orientações adequadas antes que a sua condição de saúde evolua. E a mudança não é importante apenas para a saúde suplementar. Considerando que o segmento atende 25% da população brasileira, sem ela, colocaríamos mais pressão no  Sistema Único de Saúde (SUS), aumentando seus desafios de atendimento e financiamento.

Ana Luísa Seleme, head de Gestão de Saúde e Sócia na Wellbe.

Related posts

Philips escolhe AWS como provedora preferencial de nuvem para impulsionar inovação em saúde digital

Bayer leva ao Supremo dos EUA discussão sobre advertência de câncer em herbicida Roundup

Nova norma trabalhista responsabiliza empresas pela saúde mental dos funcionários