Pesquisa vai analisar evolução de cânceres por meio de modelo computacional

A Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) irá financiar uma pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que tem como objetivo gerar um modelo computacional baseado em biologia de sistemas para entender a evolução do câncer. A proposta, selecionada por meio de acordo de cooperação entre o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e o Instituto Serrapilheira, receberá R$ 676 mil, distribuídos ao longo de três anos.

O aporte financeiro foi concedido ao projeto do cientista da computação Edroaldo Lummertz da Rocha, professor do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia (MIP), do Centro de Ciências Biológicas (CCB) da UFSC.  “Parcerias como essa são extremamente importantes para que possamos ampliar as oportunidades de apoio à pesquisa e inovação que a Fapesc já vem promovendo em Santa Catarina”, destacou o presidente da fundação, Fábio Zabot Holthausen, em entrevista ao site Serrapilheira.

O projeto da UFSC vai investigar como tumores primários alteram órgãos distantes para estabelecer nichos pré-metastáticos antes da chegada efetiva de uma metástase. De acordo com o autor, pesquisas anteriores mostraram que as células derivadas da medula óssea desempenham papéis importantes durante a formação do nicho pré-metastático, implicando um eixo de comunicação entre tumor, medula óssea e órgãos secundários responsável pelo desenvolvimento das metástases. “Esta proposta visa ser pioneira na geração de um atlas espaço-temporal multicelular do câncer metastático e desenvolver uma plataforma inovadora de biologia de sistemas para decifrar os mecanismos complexos pelos quais os tumores reprogramam microambientes distantes e coordenam a formação do nicho pré-metastático”, explica Rocha.

Os atuais estudos reforçam um modelo em que os tumores reprogramam órgãos secundários para apoiar a disseminação da metástase, embora esses processos biológicos coordenados permaneçam enigmáticos. A complexidade e heterogeneidade dos tecidos impõem vários desafios para a investigação da biologia do câncer. Assim, o principal objetivo do trabalho é decodificar as redes de comunicação celular dos ecossistemas pré-metastáticos tumoral, da medula óssea, pulmão e linfonodos (gânglios linfáticos) durante a progressão do câncer.

Para Rocha, o incentivo financeiro permite o desenvolvimento de projetos de pesquisa inovadores, que abordam questões fundamentais da biologia do câncer. Para o autor, linhas de trabalho como esta desenvolvida na UFSC podem apresentar, dependendo das descobertas realizadas, utilidade clínica e potencial translacional (aplicabilidade real do conhecimento e de novas tecnologias). “Diversos estudantes e cientistas irão receber treinamento de alta qualidade para a execução deste projeto, contribuindo para a excelência científica da Universidade e formando profissionais altamente qualificados”, avalia.

Related posts

Vittude lança solução para mapear a situação e evolução do cenário de saúde mental nas empresas

Mercado brasileiro de biossimilares pode receber impulso

Genial Care cria campanha para ampliar diálogos difíceis sobre autismo