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Quando vamos entender de uma vez por todas que Telemedicina é Medicina?   

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É até um fator surpresa “nesta altura do campeonato”, após inúmeras comprovações da diferença que a telemedicina fez na prática ao longo desses meses todos de pandemia, que estejamos falando de algo que não é definitivo. O congresso regulamentou em caráter de urgência, mas agora discute, com o Conselho Federal de Medicina, as regras para o futuro.

Por hora ainda continuamos nesse cenário incerto – mas, como todos esperamos, isso um dia vai passar e, ao contrário do que muitos costumam dizer, nem a vida e nem a medicina voltarão ao normal. Experimentamos tanta conveniência e nos sentimos tão próximos dos médicos, amparados, que vai ser difícil achar alguém que queira voltar a enfrentar filas nos pronto-atendimentos ao invés de fazer uma consulta através de plataformas de telemedicina.

E aí, nos deparamos com dois aspectos que estão chamando bastante atenção durante todo esse processo de tramitação da regulamentação: a proibição da primeira consulta via telemedicina e a impossibilidade de médicos atenderem pacientes de outros estados. Esses são, na verdade, pontos que vão contra as vantagens importantes da tecnologia, uma por desafogar e agilizar o atendimento; e a outra por levar o acesso à saúde de qualidade e especialistas em lugares  remotos. É nosso direito de escolha, como cidadãos, contar com a autonomia e a capacidade do médico de saber o que é melhor para o paciente e a ampliação do acesso à saúde, e que estão sendo colocados em cheque.

E não estamos falando de uma novidade ou de algo que esteja disponível agora e de forma precária. A telemedicina já existe há muitos anos – só eu já venho há 16 anos trabalhando no desenvolvimento de soluções seguras para que os profissionais de saúde possam prestar esse serviço. E olha que isso já vem de antes. No sentido amplo, existe um artigo de 1879, publicado na Lancet, que fala sobre o uso do telefone para evitar as idas desnecessárias aos consultórios. Há 95 anos também falou-se também do uso do rádio. Então, por que ainda estamos discutindo isso?

Hoje existem inúmeras tecnologias que ajudam a garantir a eficiência desse processo, somadas a excelentes profissionais. E não estamos falando de uma orientação via chamada de vídeo de whatsapp, skype, zoom ou google meet. Estamos falando de tecnologia propícia para essa finalidade, sendo algumas mais seguras ainda por estarem registradas na Anvisa. Câmeras que ajudam a tornar o diagnóstico mais preciso, carts que levam o equipamento mais próximo do paciente, proteção dos dados. Recursos que garantem segurança tanto para o médico como para o paciente, que está no centro do cuidado.

São tantas aplicações, tantas possibilidades. Vou citar bem poucas. Temos  o atendimento de profissionais embarcados em plataformas de petróleo ou navios; a possibilidade de acompanhar os sinais vitais de vítimas de acidentes e contar com o apoio de um especialista ainda em trânsito para o hospital; permitir que populações ribeirinhas e indígenas tenham acesso a especialistas; e inúmeros outros exemplos que antecedem são contemporâneos e transcendem a pandemia.

É claro que as preocupações são genuínas. Até por isso seguimos com pesquisa e desenvolvimento para cada vez mais aperfeiçoar as soluções, agregando inteligência artificial e outros recursos que permitam melhores diagnósticos, aumentem a eficiência, agilizem o atendimento, agreguem valor ao paciente e ao profissional, reduzam custos, ampliem o acesso à saúde e outros inúmeros benefícios que a telemedicina e a tecnologia trazem.

Mas é preciso relembrar que telemedicina nada mais é do que um ato médico,  só que por outro meio. E que o médico não colocará um paciente em risco ou negligenciará o tratamento presencial. Ele sempre escolherá o que é melhor para o paciente por isso, ele, e somente ele, deve ter a prerrogativa dessa decisão: atender o caso específico de forma remota ou não. Por isso, vale realmente pensar que mais entraves na regulamentação podem atrasar ainda mais a busca por qualidade em saúde.

Marcelo Fanganiello, diretor de GetConnect, divisão de Telemedicina, Integração e Conectividade da Oxy System.

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