terça-feira, junho 18, 2024
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A importância do point of care na urgência e emergência

por Guilherme Pozzolo
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De acordo com estudos da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a maioria das mortes por infarto agudo do miocárdio (IAM) ocorre nas primeiras horas de manifestação da doença, sendo 40% a 65% dos casos na primeira hora e, aproximadamente, 80% nas primeiras 24 horas. Esses dados mostram como cada minuto importa em atendimentos de urgência médica, e que tornar as condutas ainda mais ágeis e efetivas pode salvar milhares de vidas.

Nos momentos de espera do paciente, o tempo entre a coleta e a liberação dos resultados de exames laboratoriais é um dos mais significativos. Além da ociosidade, a economia desse tempo é fundamental para redução da morbimortalidade. Os resultados desses exames têm o potencial de modificar o destino dos pacientes, definindo, em conjunto com o raciocínio clínico, a necessidade de procedimentos intervencionistas, internações hospitalares e, então, a alta médica.

Aliás, vale destacar que o tempo transcorrido desde a chegada do paciente até sua saída, conhecido como length of stay (LOS) — duração da estadia, em tradução livre para o português — é tão relevante que é utilizado como critério de avaliação nos processos de acreditação hospitalar. Portanto, quanto menor esse indicador, maior será a segurança e a satisfação dos pacientes.

Na maioria das instituições, o laboratório é organizado de forma centralizada. São escolhidos horários fixos para coleta, transporte, rodagem e transposição das informações. A entrega de um resultado de exame de biomarcadores demanda uma infraestrutura robusta, com maquinário industrial, altos custos de transporte e centenas de rotas de recolhimento.
Um avanço nesse modelo significaria, portanto, estabelecer um ambiente descentralizado e ajustado para a demanda. E a chave para construir um padrão mais veloz de diagnóstico é o point of care testing (PoCT), que ainda é pouquíssimo explorado, especialmente no Brasil.

Com o PoCT, o laboratório é disponibilizado em pequenas unidades, em diferentes lugares, e utilizado assim que surge a necessidade. Sua maior vantagem, é claro, está na velocidade dos resultados, que ficam disponíveis em minutos e facilitam a tomada de decisão. Um ganho notável em todos os níveis da saúde, mas capaz de produzir impactos ainda mais significativos na urgência e emergência.

Sabemos que o setor de saúde possui um período maior de latência para mudanças tecnológicas. Apesar disso, as tendências digitais acabam influenciando sua cadeia de produção. Recentemente, inovações, como a utilização da internet para comunicação, foram incorporadas nos atendimentos de telessaúde. Além disso, hoje, o armazenamento de grandes volumes de imagens médicas é realizado por meio da computação em nuvem. Essas são mudanças presentes em outros setores há alguns bons anos.

Nas duas últimas décadas, o mercado de biomarcadores evoluiu significativamente, em especial no que diz respeito à robotização dos processos. Contudo, a cadeia ainda carece de integração e é onde está o gargalo das análises diagnósticas.

As tecnologias de PoCT têm sido fundamentais para acelerar esses avanços, além de integrar melhor os protocolos de saúde, lançando mão de ferramentas como a internet das coisas (IoT) e inteligência artificial (IA). As metodologias também estão evoluindo a ponto de algumas gotas de sangue serem o suficiente para uma análise laboratorial, mesmo que a distância.

Não se trata apenas de como os prontos-socorros serão no futuro. A implementação de determinados exames PoCT — como o hemograma, marcadores cardíacos, eletrólitos, função renal, proteína C reativa e procalcitonina (PCT), entre outros já utilizados em um atendimento do tipo (no formato tradicional) —, é possível para já. E isso é o bastante para mudar a rotina na urgência e emergência, garantindo mais conforto e segurança aos pacientes.

*Guilherme Pozzolo é médico e membro do corpo clínico da Hilab, startup especializada em exames diagnósticos rápidos e remotos.

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