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Telemedicina: a peça chave para o futuro da saúde

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Antigamente era impensável a um cidadão brasileiro que reside em uma região com pouca infraestrutura médica, ser atendido  por um profissional de saúde de um grande hospital ou em uma clínica situada nos principais centros urbanos do País. Poder ter assistência a um clique da mão parecia utopia. Felizmente, agora não mais.

Desde o início da Covid-19, a telemedicina ganhou muita força, mas essa modalidade de atendimento não é novidade no Brasil ou em outros países. Na verdade, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o termo foi legitimado na década de 1970 e, literalmente, significa “curar à distância”. Assim, em virtude da necessidade de garantir o atendimento médico da população, a telemedicina no Brasil foi aprovada, em caráter emergencial. A Lei 13.989, de 15 de abril de 2020, que reconhece a possibilidade de atendimento à distância durante a pandemia — e, a princípio, somente enquanto durar a crise e o isolamento social, representa uma estratégia fundamental para controlar a disseminação do vírus.

Como especialista em transformação digital na área da saúde, acredito que o atendimento virtual deva se tornar a principal forma de atenção primária, filtrando de maneira mais eficiente o encaminhamento dos pacientes aos hospitais e contribuindo também para a sustentabilidade dos sistemas de saúde públicos e privados. Assim, evitar idas desnecessárias aos hospitais resulta em uma redução enorme dos custos que as operadoras e os governos têm hoje com a saúde dos usuários.

A bola da vez: inovação em saúde

É indiscutível que a pandemia acelerou a transformação digital na saúde. Neste sentido, estamos falando de ferramentas digitais como prontuários eletrônicos, agendamento digital de consultas e outras facilidades que se tornaram mais frequentes na rotina de médicos, hospitais, clínicas e consultórios. Podemos citar, também, tecnologias mais avançadas, como inteligência artificial, realidade virtual e internet das coisas, que também passaram a impactar mais o mercado da saúde. Para se ter uma ideia do impacto da tecnologia no setor, segundo a pesquisa “Global Top Health Industry Issues 2021” da consultoria PWC, o investimento dos negócios em telemedicina atingiu 4,3 bilhões de dólares no ano passado, um crescimento de 139% em comparação com 2019.

Vale reforçar que a  tecnologia tem papel de protagonista na adoção de soluções de inteligência artificial para dar suporte à decisão clínica. Costumo afirmar que existe uma diferença entre hospital digitalizado e hospital digital. No digitalizado o médico simplesmente deixa de escrever no papel e passa a preencher o prontuário no computador. Já o hospital digital permite que o profissional tenha o suporte de sistemas baseados em informações estruturadas dos pacientes que tenham origem, por exemplo, nos equipamentos que estejam monitorando seus parâmetros de saúde à beira do leito hospitalar ou mesmo em casa.

Imagine o cenário: após uma consulta, o médico tem uma suspeita diagnóstica. O profissional realiza então, dois tipos de solicitações: uma prescrição para o início imediato do tratamento e uma solicitação de exames para investigação complementar desta hipótese. Neste momento, o médico utilizará o prontuário eletrônico, ferramenta responsável pela documentação e auxílio ao diagnóstico.

A partir disso, deve-se realizar a indicação do tratamento utilizando plataformas de prescrição digital, com acesso a um banco de dados atualizado sobre os medicamentos, e, de preferência, que ofereça suporte à tomada da decisão clínica. Desta forma, o médico terá o suporte necessário para tomar suas decisões clínicas, com alerta de alergias, bem como de interações medicamentosas. O paciente, por sua vez, recebe a receita de forma digital ainda no consultório e rapidamente, em seu smartphone, consegue encontrar farmácias próximas e também as que oferecem serviço de televendas e e-commerce para realizar a compra dos medicamentos. 

Interoperabilidade acelerando o suporte à decisão clínica

O principal objetivo da interoperabilidade é reunir em um só lugar dados clínicos armazenados em diferentes ferramentas. Isso permite que a assistência médica seja mais segura, prática e eficiente. Graças à gestão dos sistemas e das telecomunicações, a telemedicina pode facilitar todo o processo de atendimento desde a gestão administrativa, diagnóstico, tratamento ou educação em saúde.  Neste sentido, conheça alguns casos de  sua aplicação: 

Teleconsulta: possibilita o acompanhamento, diagnóstico ou tratamento de pacientes à distância. Para isso, o intercâmbio de informação clínica é essencial, como, por exemplo, a transmissão de imagens radiológicas, exames laboratoriais ou anatomia patológica, assim como sua aplicação em especialidades como a dermatologia, psiquiatria ou cardiologia, entre outros. 

Telemonitoramento: facilita o acompanhamento dos pacientes – muitas vezes de doentes crônicos – incorporando parâmetros biológicos, fisiológicos e biométrico. O Telemonitoramento tem um papel fundamental no controle dos pacientes sobre a sua própria saúde, permitindo-lhes adquirir um papel ativo em seus cuidados, ao mesmo tempo, em que se reduz sua permanência no hospital. 

Telecirurgia: Sem dúvida, uma das grandes revoluções dentro da Telemedicina que continuará evoluindo nos próximos anos com a implementação do 5G A utilização da robótica e da realidade virtual impulsiona um número crescente de telecirurgias experimentais. 

Cuidados importantes também precisam ser respeitados quando for feita a regulamentação definitiva da telemedicina no País. Entre eles estão: garantir a proteção, a preservação e o sigilo dos dados relacionados aos atendimentos médicos. O cuidado é, sempre, assegurar a total privacidade e a inviolabilidade, e preservar a confiança entre pacientes e profissionais da saúde.

Por fim, caberá ao médico sempre avaliar quando e como ela é a melhor alternativa. O atendimento a distância abre enorme possibilidade de ampliação de acesso à assistência à saúde e fortalece a atenção primária, principalmente na prevenção e no acompanhamento de pacientes com doenças crônicas. Num país de dimensões continentais como o Brasil, torna-se instrumento crucial para cuidar da saúde e salvar vidas.

Bruno Toldo, Chief Medical Information Officer na Infor.

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