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Telemedicina é essencial para diminuir ocorrências cardiovasculares, diz médica

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O ano de 2020 foi marcado pela pandemia do novo coronavírus. E não somente pessoas infectadas pela covid-19 foram afetadas, mas também pacientes com doenças preexistentes que não foram para hospitais com medo da contaminação. Isso provocou um aumento de agravamento de casos em diversas doenças, inclusive aumento de óbitos. Uma das doenças que mais se agravou foi a cardiovascular.

“É por isso que o uso da telemedicina se tornou tão necessário. Com a covid-19, o monitoramento remoto, através da telemedicina, se tornou uma ferramenta útil para tratamento de diversas doenças, inclusive cardiopatias”, explica Adilia Altgau, cardiologista na Iron Saúde Digital.

Um estudo observacional desenvolvido em três países europeus mostrou que o manejo guiado, através de ferramentas virtuais, é viável e seguro e está associado a melhores resultados do bombeamento sanguíneo e clínicos. Além disso, os resultados preliminares dos testes de monitoramento fisiológico remoto não invasivo de um sensor vestível mostraram resultados promissores na detecção precoce de hospitalização por insuficiência cardíaca iminente. 

De acordo com um estudo publicado pelo European Heart Journal, do departamento de publicação da Universidade de Oxford, mais de 64 milhões de pessoas vivem com insuficiência cardíaca no mundo, com uma predominância estimada de 1% a 2% entre adultos em países desenvolvidos, na maioria das vezes com várias comorbidades como diabetes, hipertensão e obesidade. Ainda segundo o artigo, a incidência da doença pode estar se estabilizando globalmente, com diminuições em países de renda mais alta, mas continua crescendo em países de renda mais baixa devido ao envelhecimento da população e ao aumento de obesidade. Idade, fatores de risco tradicionais, estilo de vida sedentário e privação social estão associados.

“Os fatores de risco modificáveis para doenças cardiovasculares são facilmente diagnosticados, tratados e de fácil acompanhamento via telemedicina. Conseguimos, por exemplo, realizar controle de hipertensão, diagnosticar diabetes, acompanhar uma dislipidemia e ainda iniciar um programa antitabagismo. Podemos também com ajuda de equipe multidisciplinar instituir programas de atividades físicas retirando o paciente do sedentarismo, fator de risco importante para doenças cardiovasculares”, aponta a médica. 

Segundo ela, hoje já é possível, através da análise automática de dados de prontuários virtuais, estratificar uma população e assim poder atuar diretamente e individualmente em cada um dos fatores de risco para doenças cardiovasculares presentes neste grupo. “Com esta análise, conseguimos fazer uma abordagem individual direcionada para cada paciente, levando a promoção de saúde”, diz Adilia. 

A pesquisa clínica revela ainda que a incidência de insuficiência cardíaca aguda ou descompensação crônica entre pacientes com covid-19 é alta e com prognóstico ruim. Os efeitos indiretos da pandemia incluíram a redução das hospitalizações durante surtos locais com aumentos na mortalidade hospitalar e grandes desafios para o manejo e acompanhamento de pacientes com Insuficiência cardíaca. Recomendações para superar esses desafios foram lançadas. “Muito ainda está por vir, teremos grandes avanços nestas áreas, a telemedicina sem dúvida já é um grande aliado do médico/paciente”, finaliza Adilia.

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