quarta-feira, junho 19, 2024
Home News Metade dos profissionais que atuam no Terceiro Setor estão preocupados com a própria saúde mental

Metade dos profissionais que atuam no Terceiro Setor estão preocupados com a própria saúde mental

por Redação
0 comentário

Sentimento de sobrecarga, ansiedade, exaustão física, tensões causadas pela baixa remuneração e preocupação com o futuro são alguns dos sentimentos enfrentados nos bastidores do setor que promove solidariedade e mudanças sociais. Mais de 50% dos profissionais que atuam no Terceiro Setor estão preocupados com a própria saúde mental. Esse e outros dados foram apontados pela pesquisa inédita “Saúde Mental e Bem-Estar no Terceiro Setor”, realizada pela Phomenta, negócio de impacto que fortalece organizações da sociedade civil e seus empreendedores, com a participação de 842 profissionais de 214 cidades distribuídas por todos os 26 estados brasileiros, além do Distrito Federal.

A pesquisa destaca que 55% dos respondentes expressam algum nível de preocupação ou insatisfação com sua saúde mental e seu bem-estar. Desses, 38% classificam sua condição como “regular” e 17% como “ruim”. “Estamos passando por um problema generalizado de saúde mental enquanto sociedade. Quando a gente olha para o terceiro setor, partimos do pressuposto de que as pessoas precisam estar bem, já que elas provavelmente vão lidar com quem vive em situações de vulnerabilidade. Então é chocante ver que tantos profissionais que participaram da pesquisa responderam estar com a saúde mental regular ou ruim”, avalia o diretor executivo da Phomenta, Rodrigo Cavalcante. “Isso afeta não só o indivíduo, mas também o impacto que essas organizações causam. Para que esse setor possa cuidar das pessoas, ele precisa cuidar de si mesmo”, complementa.

Excesso de trabalho e sintomas na saúde mental

O excesso de demandas e tarefas surge como o principal fator de estresse para 64% dos participantes da pesquisa, evidenciando a carga de trabalho como fator crítico. A “falta de recursos adequados” é citada por 50% dos respondentes, apontando para limitações não apenas em termos de carga laboral, mas também de ferramentas e financiamento. Esses dados ressaltam a necessidade de investimentos e suporte adequado para garantir a eficácia das organizações e o bem-estar de seus colaboradores.

Além disso, o estudo revela que a maioria dos respondentes sente que seu equilíbrio tende mais para o lado profissional, com 40% do total indicando estar “um pouco desequilibrado em favor do trabalho” e 23% sentindo-se “muito desequilibrado em favor do trabalho”. Juntos, esses grupos representam 63% dos participantes. Outro destaque é que 60% afirma trabalhar aos finais de semana às vezes ou regularmente, com apenas 9% citando nunca e 31% raramente.

Como resultado desse cenário de excesso de trabalho, 77% dos entrevistados identificam a ansiedade como o sintoma mais comum diante do estresse no trabalho. A “exaustão física” é o segundo sintoma mais relatado, afetando 64% dos participantes. Outros sintomas, como “transtorno do pânico”, “pressão alta” e “vontade de sumir”, indicam um ambiente de trabalho potencialmente prejudicial e sinalizam a necessidade de intervenções eficazes para promover a saúde mental.

Um dado preocupante revela que 20% dos profissionais se ausentaram do trabalho devido a questões de saúde mental. Além disso, 20% recorrem regularmente a calmantes e ansiolíticos. Cerca de 66% já buscaram apoio profissional, principalmente de psicólogos (87%) e psiquiatras (38%).

Desafios financeiros

A remuneração inadequada é uma preocupação crescente: 63% dos indivíduos que classificaram saúde mental e bem-estar como “regulares” ou “ruins” destacaram a tensão financeira. De acordo com a pesquisa, uma preocupação recorrente entre as pessoas entrevistadas foi a insatisfação com a remuneração.

“Muitos mencionaram ser insuficiente para a carga de trabalho e responsabilidades assumidas. Existe ainda uma ansiedade em relação ao futuro, especialmente no que diz respeito à aposentadoria e à capacidade de sustento na velhice. Este temor é exacerbado pela natureza precária de alguns contratos, como o MEI, que não proporciona as mesmas garantias que um contrato CLT e os projetos com duração anual, que não trazem previsibilidade sobre emprego no ano seguinte”, indica o estudo.

Mulheres mostram mais preocupações

As mulheres, que formam 65% da força de trabalho no Terceiro Setor, demonstraram preocupações maiores relacionadas à sua saúde mental e bem-estar em comparação com os homens. Cerca de 60% das entrevistadas expressaram algum nível de preocupação, enquanto menos da metade dos homens (45%) compartilhou percepções semelhantes. Essa disparidade é ainda mais acentuada entre as mulheres pretas ou pardas.

Ações para promover o bem-estar

Mais de 70% dos respondentes não percebem ações intencionais de suas organizações para promover o bem-estar dos colaboradores. Aqueles que percebem destacam práticas como atendimento psicológico, espaços de diálogo, formações e flexibilidade no trabalho.

Os relatos sugerem que, embora algumas organizações estejam introduzindo medidas voltadas para a saúde mental, a sobrecarga de trabalho e as pressões constantes podem anular os benefícios dessas iniciativas, o que torna essencial que as organizações promovam mudanças que abordem as causas subjacentes do estresse, criando ambientes de trabalho sustentáveis.

“Podemos olhar para essa questão da saúde mental no terceiro setor como um problema sistêmico com diferentes lentes de perspectiva. Do ponto de vista interno, vemos ambientes em que as pessoas estão exaustas, que amam o que fazem e às vezes por isso trabalho demais. Tem gente que trabalha e é voluntária na mesma organização. Aí, tem um lugar do indivíduo, de olhar para si mesmo, buscar terapia e momentos de descanso. E tem um trabalho importante a ser feito aí nas organizações, de olhar para isso, discutir esse tema para oferecer ambientes mais saudáveis para os profissionais do setor”, diz Rodrigo Cavalcante.

Do ponto de vista externo, o diretor executivo da Phomenta destaca a necessidade do apoio às organizações sociais. “Tem muita organização que não tem dinheiro para pagar os funcionários ou está com o pagamento de parcerias atrasado. Isso gera insegurança e um sentimento de incerteza que acaba se desdobrando para ansiedade, crises de pânico e outros sintomas que vimos na pesquisa”.

A sociedade tem um papel importante para tornar o ambiente de trabalho das organizações mais saudáveis. “Se as pessoas fazem doações de forma recorrente, as organizações conseguem quebrar um pouco desse ciclo de incerteza. Investidores sociais, empresas, institutos e fundações empresariais também têm um papel de aplicar recursos mais livres, permitindo que a organização possa investir na equipe e em descompressão. Dentro desse contexto externo, se certas práticas da doação e financiamento não mudarem, elas acabam gerando ou agravando toda essa questão da saúde mental”, finaliza Cavalcante.

Notícias relacionadas

Deixe um comentário

* Ao utilizar este formulário concorda com o armazenamento e tratamento dos seus dados por este website.

SAÚDE DIGITAL NEWS é um portal de conteúdo jornalísticos para quem quer saber mais sobre tendências, inovações e negócios do mundo da tecnologia aplicada à cadeia de saúde.

Artigos

Últimas notícias