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Dados de PEP e wearables podem impulsionar pesquisas médicas, diz especialista

por Redação
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Um tema que tem sido debatido em diversos países é o uso de dados, extraídos das mais diversas fontes, desde prontuários eletrônicos a aplicativos e dispositivos móveis, para o desenvolvimento de pesquisas de mundo real. Esse foi um dos assuntos no 1º Fórum Internacional Real-World Evidence – RWE, promovido em São Paulo pelo Brazilian Clinical Research Institute (BCRI), com o apoio da Galen Academy e MDHealth. O evento reuniu especialistas nacionais e internacionais de diferentes áreas da medicina que discutiram os caminhos atuais e inovadores para se transformar dados em informação.

“No estudo de mundo real, utilizamos dados que inicialmente não foram coletados com o objetivo de aplicação em pesquisas. Por exemplo, quando uma pessoa usa um smartwatch para monitorar a frequência cardíaca, os dados gerados ficam armazenados e, durante uma pesquisa RWE, podem ser utilizados. Isso representa uma grande evolução na área de pesquisa, pois obtemos respostas de forma mais rápida e barata, quando comparamos com as pesquisas clínicas tradicionais”, destacou Renato Delascio Lopes (foto acima), médico fundador e diretor-executivo do BCRI e professor titular da Divisão de Cardiologia da Universidade de Duke, nos EUA.

Outra questão levantada durante o evento foi a comparação entre os ensaios clínicos tradicionais e as evidências de mundo real. “Não podemos dizer que um é melhor que o outro. Isso depende muito de qual pergunta você quer responder. Se eu quero comparar qual medicação é melhor, o estudo randomizado é o que vai me trazer a resposta correta. Porém, se eu quero saber qual antibiótico as pessoas estão utilizando na prática clínica, a RWE é que trará a resposta certa”, explicou Lopes.

Contudo, ainda há obstáculos a serem superados. “Existem muitos dados, mas pessoas e instituições capazes de transformar esse material em informação, de forma que seja rapidamente acessível e que gere mudanças de condutas, são poucas. Quando pensamos no Brasil, especificamente, sabemos que serão necessárias muitas mudanças estruturais no campo da saúde para que de fato as RWEs possam avançar. Infelizmente, o País não tem o costume de coletar dados em nível nacional e de forma estruturada”, refletiu o especialista.

Apesar da necessidade de regulamentação, principalmente no que se refere à coleta de dados, já houve um caso de pesquisa híbrida no Brasil, durante a pandemia. O levantamento “Brace Corona” foi realizado em caráter de emergência para saber se o uso de medicamentos para controle de pressão alta poderia agravar o quadro de pacientes infectados pelo coronavírus. “Coletamos dados de 35 hospitais, onde já havia registro de pacientes internados com Covid, e fizemos a randomização. Metade dos pacientes seguiu tomando os remédios para controle de pressão alta e a outra metade suspendeu o uso. Após 6 meses, concluímos que, além de não prejudicar o tratamento contra a Covid, em alguns casos houve até uma discreta melhora do quadro de pacientes hipertensos que seguiram tomando o remédio”, revelou o médico.

“Eventos como esse fórum são fundamentais para provocar debates e reflexões sobre o assunto. Precisamos urgentemente avançar no campo de pesquisas para que possamos trabalhar de forma mais assertiva. Os estudos de vida real podem nos ajudar a salvar milhões de vidas, mas precisamos que haja uma mobilização de todo o setor: academia, indústria farmacêutica, agências regulatórias, fontes pagadoras e políticas públicas”, finalizou Lopes.

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