segunda-feira, dezembro 11, 2023
Home News Cibersegurança deve estar na ordem do dia das empresas de saúde, alertam especialistas

Cibersegurança deve estar na ordem do dia das empresas de saúde, alertam especialistas

por Erivelto Tadeu
0 comentário

As instituições de saúde foram o segundo alvo preferencial dos cibercriminosos, ficando atrás somente do setor de varejo. É o que mostra o levantamento global de ciberataques divulgado no início deste ano pela Check Point Research. O estudo aponta que os ataques ao setor de saúde cresceram 64% no Brasil, causando diferentes tipos de prejuízos, o que comprova a necessidade de investimentos em governança, privacidade de dados, certificação, gestão de identidade e acesso, prevenção a fraudes e compliance com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e normas regulatórias.

Isso ficou evidenciado durante painel do Fórum Saúde Digital, promovido por este site, em que foram abordados os vários aspectos que envolvem a segurança na área de saúde. Ao enfatizar que a segurança da informação e a cibersegurança são cruciais para o Hospital Sírio-Libanês, o diretor de TI (CIO), digital e inovação, Ailton Brandão, destacou um fato curioso: o aumento dos ataques quando alguma personalidade do meio artístico, político ou empresarial é internada.

Para ele, é fundamental que se tenha preocupação com o ferramental e uma equipe de desenvolvedores, internos ou de parceiros, para verificar as vulnerabilidades, além de backup e restore. Segudo Brandão, é importante também seguir o padrão de proteção de dados da HIPAA [Health Insurance Portability and Accountability Act], lei aplicável no território americano, para verificar se a instituição está com boas ferramentas implantadas, bem como fazer a proteção de endpoints e dispor de uma solução de SIEM para o gerenciamento e correlação de eventos de segurança.

O CIO do Sírio-Libanês ressalta que o elo mais fraco da cadeia de segurança continua sendo o fator humano, daí a importância de se adotar autenticação multifator e ter um programa de conscientização de funcionários e colaboradores. “No caso do hospital isso é muito importante porque muitos médicos que atuam lá trabalham com dados sensíveis e não são funcionários do Sírio”, diz.

A conscientização dos funcionários e profissionais de saúde também é parte da política de segurança do laboratório de medicina diagnóstica Dasa. De acordo com Caroline Rocabado, advogada sênior da Dasa, uma das preocupações centrais da organização é com a privacidade de dados dos clientes. Como a Dasa investe bastante em pesquisa clínica buscando ampliar as opções de tratamentos, novos métodos de diagnóstico e o desenvolvimento de novas tecnologias para aplicação em saúde, ela precisa da participação dos clientes com consentimento. “A empresa tem uma preocupação muito grande com a transparência para que o paciente saiba que existe uma estrutura e uma finalidade de uso do seu dado quando toma a decisão de dar o consentimento”, enfatiza Caroline.

Para Tonimar Dal Aba, technical manager da ManageEngine, a proteção de dados sensíveis do paciente é o ponto central da segurança. Segundo ele, além de garantir acesso seguro a todos os usuários, com privilégios e controle de acesso, é fundamental que se garanta também a disponibilidade, 24 horas por dia, 7 dias por semana, das aplicações e recursos críticos. Para isso, o especialista cita alguns desafios que as organizações, inclusive as do setor de saúde, precisam vencer.

“Além de suportar sistemas legados com atualizações, patches de vulnerabilidades e outras manutenções, as empresas precisam fortalecer a segurança cibernética das suas redes, como ativos de TI e os dados da organização contra ameaças internas e externas”, explica Dal Aba. Ele acrescenta ainda a importância de se garantir a conformidade com regulamentações complexas da área de saúde como HIPAA e HITECH (Health Information Technology for Economic and Clinical Health), que estrutura a forma como se coleta, armazena e usa informações de saúde.

Ao enfatizar que privacidade só existe com segurança, o managing director do AllowMe, Gustavo Monteiro, observa que o hacker hoje não precisa ser superespecializado para realizar uma fraude. “Os fraudadores têm sido cada vez mais criativos e rápidos, trabalhando em conjunto e tentando ganhar escala”, alerta ele, ao dizer que  a combinação de ferramentas biométricas com análises de dispositivos e do comportamento do usuário é um dos caminhos mais efetivos para a identificação prévia de possíveis fraudes com mitigação da fricção para os usuários.

“Hoje temos uma relação quase que simbiótica com o celular, que é capaz de nos dar a maioria das respostas que precisamos para dizer se uma transação é ou não legítima. Ao mesmo tempo em que conseguimos coletar informações de contexto, o aparelho funciona também como canal para a captura de dados biométricos caso necessário”, reforçou Monteiro.

No painel, foi consenso entre os especialistas o entendimento de que não há uma solução única de defesa, e que, portanto, é preciso combinar uma série de ferramentas e processos para uma proteção efetiva e uma resposta rápida a eventuais ataques ou tentativas de fraude.

Notícias relacionadas

Deixe um comentário

* Ao utilizar este formulário concorda com o armazenamento e tratamento dos seus dados por este website.

SAÚDE DIGITAL NEWS é um portal de conteúdo jornalísticos para quem quer saber mais sobre tendências, inovações e negócios do mundo da tecnologia aplicada à cadeia de saúde.

Artigos

Últimas notícias

© Copyright 2022 by TI Inside