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Para especialistas, cliente digital está obrigando setor de saúde a sair da ‘era analógica’

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A transformação digital no setor de saúde vem ganhando impulso graças à adesão do consumidor que, em poucos anos, se acostumou com as vantagens oferecidas pelos recursos tecnológicos nos serviços bancários, transportes e varejo. Na pandemia, a telemedicina e os aparelhos vestíveis para autocuidado tiveram boa receptividade pelos brasileiros, que agora exigem serviços de saúde mais céleres, transparentes, solícitos e voltados à sua conveniência.

A análise de Guilherme Hummel, coordenador científico da Hospitalar Hub, é compartilhada por alguns grandes especialistas do setor como Marcos Roberto Loreto, diretor médico da Omint; Daniel Greca, business unit diretor population health management do Hospital Sírio-Libanês, e José Augusto Ferreira, diretor de atenção da Unimed.

De acordo com Greca, o cliente do modelo de atendimento digital possui uma ansiedade muito grande e exige que as instituições de saúde ofereçam serviços com mais comodidade e conveniência. “Uma estatística interna revelou que o paciente fica mais insatisfeito ao esperar dez minutos para ser atendido pelo pronto-socorro digital no conforto de sua casa pelo, do que 30 minutos no pronto-socorro físico. É uma questão cultural”, declara.

Já o diretor médico  da Omint acredita que, para atender às exigências do cliente digital, o setor de saúde suplementar precisa ser mais eficiente e resolver a falta de organização na atenção primária, secundária e terciária. “Até porque hoje o acesso é livre: você vai aonde quer, no médico que quer e ao pronto socorro de forma desnecessária, gerando muito desperdício”, explica Loreto. Na visão dele, as operadoras devem realizar um processo educacional de orientar o cliente em como e quem ele deve procurar quando necessário. “A telemedicina pode ser usada para fazer uma triagem e direcionar o cliente”, explica.

Por operar em forma de rede, o setor de saúde suplementar demorará para concluir a transformação digital. “Não somos um processo só, como ocorre com a compra de comida ou a contratação de transporte”, esclarece Ferreira da Unimed. Ele entende que a digitalização deverá englobar muitos processos, entre eles a subscrição do paciente a um plano de saúde, a declaração de saúde e a marcação de saúde.  “Mas temos de realizar esta digitalização, porque as empresas da área de consumo que se transformaram em digitais  levaram comodidade, conveniência, transparência, segurança e economia de tempo e dinheiro aos usuários”, destaca.

Outro desafio a ser enfrentado pelo segmento seria a instituição de um prontuário eletrônico unificado, cujos dados poderiam alimentar o open health, um ambiente virtual que concentraria informações de saúde dos brasileiros, conforme proposta do governo federal. Greca do Hospital Sírio-Libanês entende que as operadoras não são obrigadas a trabalhar com um prontuário padrão. Mas o governo federal pode criar um repositório para concentrar os dados cruciais do paciente.

Para o coordenador científico da Hospitalar Hub, Guilherme Hummel, o uso da tecnologia na saúde esbarra ainda na resistência de muitos médicos, o que acaba influenciando os pacientes. Na opinião de Ferreira, o consumidor vai mudar o médico por causa da facilidade do acesso à informação. “Com o tempo, as pessoas irão saber se o tratamento de câncer é correto ou não para aquela situação que ela está. Não adianta o médico achar que será o único detentor da informação”, explica. Já Loreto afirma que já está surgindo uma nova safra de médicos, com visão de gestão. “Virá uma geração de líderes para ajudar essa transformação que ocorrerá na área médica”, preconiza.

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