sexta-feira, março 1, 2024
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Tratamentos podem mudar o curso da esclerose múltipla

por Leonardo de Deus Silva
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As terceira e quarta décadas de vida compreendem um período extremamente produtivo na jornada de qualquer pessoa. É nesse intervalo que iniciamos a fase adulta, estamos terminando a formação escolar e entrando na vida profissional e, de certa forma, definindo o nosso futuro. É nesse período também que nossos relacionamentos, bem como nossa identidade, estão amadurecendo. Várias decisões importantes estão sendo tomadas, e estamos no auge dos nossos vigores físico e mental.

Considerando as mulheres, esse período é ainda mais importante, visto que se trata do momento em que a natureza clama pela maternidade. Portanto, elas assumem um protagonismo ainda maior ao se depararem com as questões relacionadas à reprodução. Infelizmente, é também nesse momento que se concentra a maior probabilidade do diagnóstico de uma doença chamada esclerose múltipla (identificada pela sigla EM), que vai acometer pessoas com predisposição, preferencialmente mulheres, numa proporção de três para cada homem.

A EM é uma doença inflamatória, autoimune, em que células do sistema imunológico atacam, por engano, uma proteína do sistema nervoso central chamada mielina. Essa proteína é, de forma geral, responsável pela agilidade na condução dos impulsos nervosos que governam as funções motoras, sensitivas e cognitivas do nosso corpo. Se não for reconhecida e tratada de forma adequada, pode causar lesões no sistema nervoso central, levando a comprometimentos de funções, que variam desde sintomas sensitivos tênues, como formigamentos em uma parte do corpo, até limitações graves, como uma paralisia.

E, considerando que a maior parte dos pacientes vai ser diagnosticada nesse intervalo dos 20 anos aos 40 anos, a EM pode se tornar ainda mais devastadora por comprometer esses “anos dourados”. Estudos epidemiológicos estimam que, hoje em dia, haja, no Brasil, aproximadamente 35 mil pessoas acometidas e 2,5 milhões em todo o mundo. A incidência é variável, sendo de aproximadamente 17 pessoas para cada 100 mil habitantes no Sul e Sudeste brasileiro e mais comum em pessoas brancas e com descendência europeia, embora, evidentemente, possa acometer outras raças.

Seu curso pode ser muito heterogêneo entre os portadores. Os sintomas mais comuns são aqueles relacionados à disfunção das estruturas em que há maior densidade de mielina no sistema nervoso central e incluem distúrbios visuais, por exemplo: visão borrada embaçada ou dupla e alterações sensitivas, como formigamento, dormência ou até perda da sensibilidade ou força em um segmento do corpo, como braço, perna ou ambos. O desequilíbrio pode também ser um sintoma inicial da EM.

A patologia evolui com episódios de piora, chamados surtos, os quais podem até desaparecer espontaneamente, mas também podem persistir e se tornarem definitivos. Por isso, a forma mais comum de esclerose múltipla é chamada de surto-remissão.

O mais importante a ser destacado é que há tratamentos para a EM muito eficazes e capazes de mudar o curso da doença se iniciados o quanto antes. Atualmente, pacientes com esclerose múltipla sob intervenção adequada podem e devem ter uma vida praticamente normal. Portanto, é fundamental que o esclarecimento da população seja incentivado para que os diagnósticos sejam feitos o mais precocemente possível. Nesse sentido, o mês é conhecido como Agosto Laranja, por ser a cor de alerta da conscientização da esclerose múltipla.

No mundo, o dia 30 de maio é o dia da esclerose múltipla, enquanto, no Brasil, o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla é o dia 30 de agosto. É uma data representativa da conquista fundamental na luta pela divulgação e pelo reconhecimento da doença no país. Foi instituída pela Lei nº 11.303, fruto de um intenso trabalho da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM), e celebrada oficialmente pela primeira vez em 2006.

Assim, terminamos este mês de agosto reluzindo um laranja brilhante para que todos sejam conscientizados sobre a importância do reconhecimento de sintomas da EM, de modo que os pacientes possam ser rapidamente avaliados por neurologistas e submetidos ao processo de exames necessário para a conclusão diagnóstica. Se formos exitosos nessa intenção, com certeza, milhares de pessoas continuarão a aproveitar não apenas suas terceiras e quartas décadas de vida de forma plena, mas também toda a sua existência.

*Leonardo de Deus Silva é médico neurologista, coordenador da área de neurologia e neurocirurgia do Vera Cruz Hospital.

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