sexta-feira, abril 12, 2024
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Tecnologias de alta precisão são cruciais para diagnóstico precoce do câncer

por Paulo Gropp
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Os casos de câncer seguem crescendo em nível global, considerados por muitos médicos como uma verdadeira epidemia, especialmente por acometerem pessoas mais jovens nos últimos anos. De acordo com um estudo recente realizado por pesquisadores do Brigham and Women’s Hospital, nos Estados Unidos, e publicado na revista Nature Reviews Clinical Oncology, fatores como hábitos de alimentação e estilo de vida das pessoas podem estar entre as principais causas para esse cenário alarmante.

Além dos casos de grande repercussão noticiados pela mídia, de pessoas públicas, jovens e aparentemente saudáveis, os últimos levantamentos das autoridades de saúde evidenciam tal realidade. O câncer mata mais de 10 milhões de pessoas por ano ao redor do mundo e foi diagnosticado em mais de 700 mil pacientes somente no Brasil, em 2022, segundo dados do Instituto Nacional de Combate ao Câncer (Inca). A doença já é considerada a principal causa de morte por enfermidades entre crianças e adolescentes no país.

Mas o que podemos fazer a respeito? Vemos acontecer uma série de campanhas de conscientização frequentes, responsáveis por colorir os meses do ano com diferentes tons: janeiro verde, março lilás, outubro rosa, novembro azul. Todas muito válidas, mas acredito que precisamos ir muito além disso; conscientizar, educar, propor a adoção de hábitos saudáveis de vida e oferecer ferramentas que contribuam para combater o câncer por meio de uma de suas maiores fraquezas: o diagnóstico precoce. Sabe-se que o quanto antes diagnosticado um câncer, maiores são as chances de tratamento e cura.
Atualmente, já existem diferentes tecnologias de alta precisão capazes de contribuir para este desafio. Mas dependemos da aderência das equipes médicas, bem como a disponibilidade do Sistema Único de Saúde (SUS) em adotar essas soluções em larga escala. Tomemos como exemplo o câncer de colo do útero. Sabe-se que o principal agente causador dessa doença é o HPV (papilomavírus humano) e sua presença prolongada no organismo feminino.

Além dos exames mais comuns para identificar esse tipo de câncer, realizados anualmente pelas mulheres, como o papanicolau e a colposcopia, outros testes como a captura híbrida, apresentam precisão e potencial muito mais abrangente ao diagnosticar não só neoplasia, já instalada, mas a presença do HPV, antes mesmo do surgimento da primeira lesão, permitindo um acompanhamento muito mais próximo dos casos que apresentem um resultado positivo para o vírus. Trata-se de um exame que já existe há mais de 20 anos, realizado por mais de 100 milhões de mulheres e clinicamente validado em mais de um milhão de pacientes.

Por que, então, alguns profissionais hesitam em prescrevê-la e por que ela segue disponível somente no sistema de saúde privado, para apenas 1% de todas as mulheres elegíveis a realizá-la no país? Será que estamos, de fato, no melhor caminho para erradicar esse tipo de câncer tão previsível, que poderia ser evitado em mais de 17 mil mulheres somente neste ano?Outra grande ferramenta de testagem, disruptiva, considerada um verdadeiro divisor de águas no diagnóstico precoce do câncer, são os testes genéticos, que permitem identificar a pré-disposição ao desenvolvimento da doença ou direcionar tratamentos personalizados para os quadros de metástase, quando um tumor inicial se desdobra para outras regiões do organismo.

Reconhecidos como sequenciamento genético de nova geração, ou NGS, esses exames conseguem tanto prever a possibilidade de ocorrência da doença em pessoas com histórico familiar, quanto detectar mutações nos genes que levem ao surgimento de novos tumores, naqueles que já enfrentaram esse tipo de diagnóstico anteriormente ou encontram-se em um estágio avançado da enfermidade. A solução permite adotar condutas para contornar o avanço do câncer já instalado, por meio da administração de medicamentos específicos.

Embora essas ferramentas ainda não configurem uma realidade acessível para todos no Brasil, conforme seus benefícios sejam mensurados e vivenciados por um número cada vez maior de pacientes, futuramente poderão contribuir para um promissor manejo do câncer no país. Fatores como a redução dos gastos direcionados aos tratamentos, exames e consultas, sem falar no aumento da qualidade de vida dessas pessoas, podem e devem entrar na conta do nosso sistema de saúde como um todo.

Por enquanto cabe, então, à ciência, atrelada à tecnologia, seguir desempenhando um relevante papel para que essas inovações se tornem cada vez mais práticas e de fácil acesso a todos que venham a enfrentar essa batalha pela vida.

*Paulo Gropp é vice-presidente da multinacional alemã especializada em tecnologia para diagnósticos moleculares QIAGEN na América Latina.

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