quinta-feira, abril 18, 2024
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Psicopatia corporativa afeta líderes e… as equipes

por Viviane Gago
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“Infelizmente, não há dúvida de que o homem não é, em geral, tão bom quanto imaginava ou gostaria de ser. Todo mundo tem uma sombra, e quanto mais escondida ela está da vida consciente do indivíduo, mais escura e densa ela se tornará. De qualquer forma, é um dos nossos piores obstáculos, já que frustra as nossas ações bem-intencionadas.”

A análise de Carl Gustav Jung, psiquiatra e psicoterapeuta suíço, considerado o “pai” da pasicologia analítica, ajuda a compreender por que líderes e gestores que sofrem do que chamamos de psicopatia corporativatambém podem afetar os colaboradores. Em meu último artigo “Transtornos mentais: acidentes de trabalho também podem ser psicológicos”, comento dentre várias coisas que é preciso colocar o bem-estar mental e emocional como prioridade, mas que líderes e gestores também devem favorecer comportamentos que coloquem a saúde de todos em primeiro lugar no ambiente laboral.

Mas o que fazer quando, eles, líderes, são doentes? O que se espera de um líder para grande parte do mercado de trabalho? De uma maneira simples e direta sugiro conectar a resposta com um dos significados da palavra líder constante do dicionário Aurélio; e para mim o mais relevante e real: “Líder é o indivíduo que exerce influência no comportamento ou no modo de pensar de alguém”.

No artigo de autoria de Claudia Nassif, no livro “Olhares para os sistemas”, ela desenvolve o significado de líder acima referenciado no sentido de dizer “é importante a compreensão de que ocupar um cargo de liderança traz para si uma enorme responsabilidade, pois o líder tem uma influência importante na formação, no envolvimento, na motivação e no comprometimento de seus colaboradores (ou liderados). Por isso, as empresas buscam, cada vez mais, por liderança que gere comprometimento, engajamento, envolvimento e consiga despertar o interesse do time”.

Ela diz ainda: “O grande problema é que muitas vezes esse cargo de liderança é ocupado sem que a pessoa esteja minimamente preparada. Ou seja, ela é colocada naquele lugar e, de repente, precisa liderar uma equipe. Isso acaba prejudicando não só a empresa, mas também comprometendo a carreira de alguém que, com um bom preparo, poderia ser um líder muito bom”.

Quanto ao ponto trazido pela referida autora, felizmente existem empresas que proporcionam um desenvolvimento sustentável ao líder, que está iniciando nesta nova posição, por meio de ferramentas eficientes. E aqui posso citar como exemplo, academias de liderança conduzidas por empresas sérias e que dão um ponta pé inicial para esse recém empossado líder fluir bem na posição, e emergir suas características saudáveis para o seu entorno, principalmente sua equipe direta, que convive com ele diariamente de maneira a receber a grande carga de sua influência.

Porém, eu complementaria o que a autora pertinentemente diz, pontuando que existem outros problemas importantes envolvendo as lideranças, que é esse o tema que se quer dar luz no presente artigo. Os líderes psicopatas, que possuem transtorno mental que afeta ele próprio e tudo que o rodeia.

A psicopatia de líderes está presente no ambiente de trabalho e são aquelas pessoas, que não obstante possuir características desejáveis e até esperadas em cargos de gestão/liderança, podem causar prejuízos importantes às equipes, aos negócios e porque não dizer a eles próprios.

Melhor explicando, a história da psiquiatria, especialidade da medicina responsável pelo estudo, diagnóstico e tratamento dos transtornos mentais, foi se desenvolvendo e se aprimorando, como quase tudo, ao longo dos tempos. E nas últimas décadas, a referida especialidade passou a compreender a fisiopatologia cerebral e etiologia das doenças mentais, a neurofisiologia, neurologia e genética, testes farmacogenéticos, estilo de vida, pesquisas com psicoestimulantes, alucinógenos e a despatologização sobre identidade de gênero e orientação sexual.

Vale destacar aqui o que a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, autora do livro “Mentes Perigosas, O Psicopata Mora ao Lado”, escreveu sobre os psicopatas. “São pessoas insensíveis, manipuladoras, transgressoras de regras sociais, desprovidas de sentimento de culpa, remorso ou empatia e capazes de fazer o que julgarem necessário para atingir seus interesses e objetivos”, explica a médica. Ela diz ainda que “por serem charmosos, eloquentes, agradáveis e envolventes, não levantam suspeitas e permanecem por muito tempo ou a vida inteira sem ser descobertos ou diagnosticados. Enquanto isso, podem arruinar empresas e relações, provocar intrigas e destruir sonhos”, diz a médica

De acordo com pesquisa da Escola de Negócios da Universidade de San Diego, nos Estados Unidos, divulgada em 2021, 1% é a predominância de indivíduos diagnosticados como psicopatas na população mundial de acordo com estudos sobre tema, além de 12% dos líderes de empresas apresentam características de psicopatas.

Outro estudo, de 2017, do European Financial Management, demonstra que diretores com comportamentos disfuncionais podem provocar a perda de reputação e de talentos nas companhias, além de prejuízos financeiros, uma vez que tendem a colocar interesses próprios acima dos corporativos.

Até mesmo os especialistas informam que não é fácil a identificação e diagnóstico de um psicopata, porque o que o caracteriza, além de tudo o que já foi aqui mencionado, é a capacidade de manipular e falar o que as pessoas desejam ouvir em cada situação. Por conta deste fato, os entrevistadores incluindo os de recursos humanos devem ficar atentos, pois, às vezes, uma bela fala, um belo currículo podem não contar toda a verdade. Daí a importância de checar a vida real daquela pessoa, referências, etc., para não cair em algo irreal e ilusório, que poderá originar muitos problemas dentro da empresa e junto aos stakeholders.

Para minimizar impactos com relação a este cenário relevante ter canais de denúncias, periódicas pesquisas de clima, proceder a avaliações, educar equipes, incluindo o RH para detectar comportamentos como o assédio, tratamentos de aspereza e hostilidade para com os funcionários/colaboradores e adulação para os que estão acima na hierarquia; dentre vários outros.

Lembrarmos que competir, liderar pelo medo, premiar metas a qualquer custo; colaboram para a presença de comportamentos disfuncionais; incluindo transtornos como a psicopatia; pois geram ações que contribuem e muito para ambientes ruins e tóxicos com gente igualmente tóxica.

Em vez disso, devemos pensar na implementação de culturas organizacionais pautadas na cultura do compartilhar conhecimento, experiências, aprendizados no ambiente organizacional; de maneira a atrair lideranças saudáveis e com boas práticas para si e para com os demais.

Finalizo com mais um trecho de um artigo do livro “Olhares para os sistemas”, de autoria de Vanessa Lisboa, em que ela traz seu depoimento real sobre sua experiência com o compartilhar, reforçando o que reputo como saudável para qualquer organização que queira evoluir em consciência para afetar positivamente todos os seus sistemas.

“Como empresária, responsável pela liderança de um grupo de quase 500 pessoas e por inspirar a cultura da empresa, quero finalizar dizendo que temos muitas possibilidades de incentivar a ‘cultura do compartilhar’. Podemos ser criativos conectando vários pontos. Assim damos exemplos como líderes e vamos inspirando outros a fazerem também. É o chamado círculo virtuoso! Para finalizar, trago um trecho do livro “O despertar de uma nova consciência”, de Eckhart Tolle:

“Sem saber, as pessoas sabotam o próprio trabalho quando se recusam a prestar ajuda ou informações aos outros ou tentam prejudicá-las para que não alcancem mais sucesso ou crédito do que elas. A cooperação é estranha ao ego, a não ser quando existe uma intenção oculta. Ele não sabe que, quando incluímos as pessoas, as coisas fluem mais suavemente e chegam até nós com mais facilidade. Se prestarmos um pouco ou nenhum auxílio aos outros ou colocamos obstáculos em seu caminho, o universo — na forma de pessoas e circunstâncias- nos proporciona pouca ou nenhuma ajuda porque nos separamos do todo. O sentimento essencial inconsciente do ego de “ainda não é o bastante “faz com que ele reaja ao sucesso de qualquer pessoa como se esse êxito tivesse tirado alguma coisa dele. Ele ignora o fato de que seu ressentimento em relação à conquista de alguém restringe suas próprias possibilidades de ser bem-sucedido. Para atrair sucesso, precisamos ser receptivos a ele onde quer que o vejamos.”

*Viviane Gago é mestre em relações sociais e mentora, coach sênior e consultora da VRG Desenvolvimento Humano. É também autora do livro “Biografia de uma pessoa comum”.

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