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Saúde no país é considerada ruim ou péssima por 43% dos usuários do SUS e da saúde suplementar

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A situação da saúde no país é considerada ruim ou péssima por 43% dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e da saúde suplementar. Esta é a avaliação predominante entre o público que participou de pesquisa realizada pela Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados) em parceria com a PoderData, empresa de pesquisas do Poder360. O levantamento mostra ainda que 45% dos entrevistados avaliam a qualidade da saúde como regular e apenas 9% da população consideram o quadro como bom ou ótimo — 3% não responderam à pergunta.

A pesquisa revela que a estratificação por nível de instrução expressa que, quanto mais alto o grau de escolarização, maior é a percepção negativa da saúde. Entre o grupo que concluiu o nível superior, atribuíram a classificação “ruim/péssima” 50% dos participantes, 16 pontos percentuais a mais do que o apurado entre aqueles que possuem apenas o nível fundamental (34%).

Já na análise por faixa etária, os números demonstram que jovens são mais críticos às condições da saúde brasileira: 47% dos que têm entre 16 e 24 anos consideram-na “ruim/péssima”, posicionando a taxa de reprovação entre esse público acima da média nacional. Nas categorias seguintes, os percentuais decaem para 43% (25-44 anos), 41% (45-59 anos) e 41% (60 anos ou mais).

O atendimento prestado pelo SUS é avaliado como “ótimo/bom” por 45% dos usuários que tiveram acesso aos serviços nos últimos 12 meses. Outros 41% analisam tal assistência como “regular”, 9% apontam-na como “ruim” ou “péssima”, e 5% não souberam responder.

O maior índice de aprovação da saúde do país é no Sul do país, onde 55% concederam as melhores avaliações. Já o menor percentual para “ótimo/bom” foi registrado na região Norte (31%). Diferentemente das outras áreas geográficas, a classificação que lá predomina é a “regular”, dada por 68% dos entrevistados.  As regiões em que a percepção “ruim” ou “péssima” teve maior incidência foram Centro-Oeste (15%) e Sudeste (13%), mas mesmo assim, também nesses locais, os índices ficaram aquém das respostas mais favoráveis.

Ter acesso a exames e agendar as consultas são os principais desafios enfrentados pelos usuários do SUS. Juntas, essas dificuldades foram mencionadas por oito entre dez pessoas (78%) ouvidas na pesquisa, alcançando índices semelhantes entre si, respectivamente, de 40% e 38%. Com percentuais menores, surgem em seguida as demais barreiras: conseguir medicamentos (12%), vaga em hospitais (6%) e outros serviços (4%).

Na quebra por renda, 38% dos que ganham acima de 10 salários mínimos dizem se deparar com percalços para garantir vaga no hospital, a segunda opção mais citada por esse público, ficando atrás apenas do agendamento de consultas (50%). Esse resultado, em específico, é bem mais expressivo do que o observado nos outros grupos. Quando perguntados se já tiveram dificuldades para agendar consulta ou procedimento no SUS nos últimos 12 meses, 62% dos entrevistados disseram que sim, e 38% apontaram que não. Relataram essa queixa 73% dos homens e 54% das mulheres.

Mais da metade da população que utiliza os serviços do SUS (53%) não tem acesso a medicamentos gratuitos. Também no universo pesquisado, 40% dos entrevistados disseram que conseguem receber os produtos sem pagar por eles, e outros 7% não souberam responder. As faixas de renda intermediárias são as que mais fazem uso da gratuidade: 55% dos que ganham entre 2 e 5 salários mínimos e 56% dos que recebem entre 5 e 10 salários mínimos. Nos demais segmentos, os percentuais ficam próximos entre si: 35% dos desempregados ou sem renda fixa, 35% do grupo contemplado com até 2 salários mínimos e 38% dos que estão acima do patamar de 10 salários. Pessoas que não têm renda são as que menos contam com o benefício, 59%.

No comparativo por região, o Sul concentra a maior porcentagem de pessoas com acesso aos medicamentos, 58%. Na outra ponta, está o Norte, onde verificou-se o mais baixo índice, 31%. Destaca-se, ainda, que as duas regiões geográficas são as que apresentam, respectivamente, o maior e o menor número de aprovações sobre o atendimento do SUS.

Escassez de medicamentos e equipamentos para exames

A ausência de médicos é a maior carência dos usuários dos postos de saúde — quatro entre dez pessoas (43%) apontam o déficit no número de profissionais como a queixa mais relevante. Completa o ranking a falta de medicamentos (28%), de equipamentos apropriados para exames (26%) e de ou- tros itens (4%). Ao menos seis entre dez usuários (64%) que ganham entre 2 e 5 salários mínimos dizem sentir necessidade de mais médicos nessas estruturas. A reclamação também predomina nas faixas anteriores— 37% no público desempregado ou sem renda fixa e 46% dos que contam com até 2 salários mínimos.

A dificuldade mais mencionada por quem é remunerado entre 5 e 10 salários mínimos é a demanda por medicamentos, destacada por 61%. Já aqueles que recebem acima de 10 salários assinalam como desafio primordial a escassez de equipamentos adequados para exames nos postos de saúde, componente ressaltado por 33%.

Os brasileiros atendidos pelos SUS apontam a saúde como um bem por eles priorizado na vida, mas a ampla maioria (71%) não faz atividades voltadas à prevenção e promoção de cuidados, como ir à academia ou praticar exercícios físicos. Os dados da pesquisa revelam que “cuidar da saúde” é item destacado por 39% dos entrevistados, ao lado de “família”, que obteve 41% das menções. Na sequência, em quantitativos inferiores, estão trabalho (12%) e estudos (5%).

À medida que se eleva a faixa etária, maior é a preocupação sobre as condições de saúde: 24% (16-24 anos); 36% (25-44 anos), 43% (45-59 anos) e 54% (60 anos ou mais). Esse também é o foco principal do público desempregado ou sem renda fixa (44%). Nas três faixas posteriores, o percentual declina para 38% (até 2 salários mínimos), 28% (entre 2 e 5 salários mínimos) e 8% (entre 5 e 10 salários mínimos). Neste último grupo, “família” sobressai-se, com 71% das respostas.

O levantamento mostra, ainda, que um entre quatro pessoas (25%) que recebe acima de 10 salários mínimos tem como prioridade o cuidado com a saúde. Para esse grupo, desponta como preocupação número 1 o trabalho (31%).

Na análise sobre a prevenção, o viés demonstra que, quanto maior a renda, maior a prática dessas atividades, que chega a 63% dos que recebem mais de 10 salários mínimos, o dobro do resultado constatado no grupo dos desempregados ou sem renda fixa (31%). A parcela fica em 36% no grupo que tem de 2 a 5 salários mínimos mensais e em 43% na faixa de 5 a 10 salários mínimos.

A saúde suplementar é aprovada por cinco entre dez usuários do serviço — 53% consideram a qualidade dos serviços “ótima” ou “boa”. Outros 32% avaliaram-na como “regular”, 12% conferiram-lhe classificação “ruim” ou “péssima”, e 3% não souberam responder.

Na apuração por região, o maior índice de satisfação foi registrado no Norte do país com 64% de ótimo ou bom. Ressalta-se que essa área geográfica é a que concentra também a menor taxa de aprovação para a saúde pública (31%). O Centro-Oeste é o que registra as percepções mais negativas (18%).

A sondagem por renda mostra que as perspectivas mais positivas se encontram nas faixas antagônicas: 80% dos desempregados/sem renda fixa e 70% entre os que ganham acima de 10 salários mínimos. Nos grupos intermediários, o resultado fica em 49% (até 2 salários mínimos), 41% (entre 2 e 5 salários) e 55% (entre 5 e 10 salá- rios mínimos). Observa-se também maior presença de insatisfeitos na classe remunerada de 5 a 10 salários mínimos, 19% apontam que as condições são ruins ou péssimas.

O atributo mais decisivo para o público da saúde suplementar na hora de avaliar um hospital é a qualidade dos profissionais. Segundo a pesquisa, quatro entre usuários (43%) apontaram essa característica como a mais importante. O resultado é superior ao dobro do obtido pelo segundo traço mais mencionado, a estrutura física das instituições de saúde, que concentrou 21% das respostas. Em seguida, aparecem tecnologias disponibilizadas (14%), indicadores de qualidade (13%) e outros (8%).

No comparativo entre homens e mulheres, constata-se que o segundo parâmetro de maior relevância para eles são as tecnologias (21%), ao passo que para elas é a estrutura física (32%). A qualidade dos profissionais mantém-se na dianteira em ambos os perfis — 41% entre a população masculina e 45% entre a feminina. Esse aspecto, que preza pelos recursos humanos, também prepondera nas citações de três faixas de renda envolvidas na pesquisa — 61% entre os desempregados ou sem remuneração fixa, 50% entre os que ganham entre 2 e 5 salários mínimos e 60% daqueles que recebem acima de 10 salários mínimos.

Já a estrutura física exerce maior influência para os contemplados com até 2 salários mínimos (48%), enquanto as tecnologias são evidenciadas como fator principal para os que contam com 5 a 10 salários mínimos mensais (42%).

Segundo o levantamento, os médicos exercem um papel decisivo na escolha de um hospital pelo paciente: 33% optam por um determinado estabelecimento hospitalar graças à indicação médica. Na sequência, é citado o plano de saúde, com 27%.

Gastos com os serviços de saúde suplementar

Sete entre dez brasileiros (73%) usuários da saúde suplementar gastam até 33% da renda mensal para pagar pela assistência. Na análise que desagrega as duas faixas de consumo mais incidentes, verifica-se que 59% do público pesquisado destina até 25% dos seus ganhos, e 14% aportam valores que correspondem a 25% a 33% da remuneração mensal. Outros 13% injetam de 33% a 50% dos seus recursos para a despesa, 7% encaminham mais de 50% do que ganham para o custeio, e 6% preferiram não responder.

Aplicam mais da metade da renda 13% dos que estão desempregados/sem renda fixa, 3% dos remunerados com até 2 salários mínimos, 12% dos que recebem de 2 a 5 salários mínimos, 8% do grupo que conta com 5 a 10 salários mínimos e 4% da faixa que tem garantidos mais de 10 salários mínimos mensais.

Na apuração por região, a fatia que reserva até 25% da renda é maior no Nordeste (69%), no Sul (63%) e no Centro-Oeste (61%). No Norte e no Sudeste, essa parcela também predomina, mas com proporções ligeiramente mais baixas, de 57% e 52%, respectivamente.

Metade da população quer que o próximo governo priorize no setor de saúde os “investimentos em tecnologia e inovação” e a distribuição de “mais medicamentos gratuitos pelo SUS”. As demandas foram sublinhadas, respectivamente, por 28% e 22% do total das pessoas consultadas pelo levantamento, que ouviu usuários da saúde pública e da saúde suplementar. Na sequência, surgem a melhor qualificação profissional, citada por 18%, os serviços com foco na população idosa (14%), a melhoria no saneamento básico (13%) e outras prioridades (5%).

No grupo dos que são contemplados pelo SUS, 24% almejam que a próxima gestão federal garanta mais remédios e 29% esperam por mais tecnologia e inovação. Esta última demanda é também a mais visada por quem utiliza a saúde suplementar, sendo citada por 24% dessa população. O item desponta ao lado de “saneamento básico”, que é elencado como elemento preponderante por 22%, o dobro do verificado entre os assistidos pelos SUS (11%). A qualificação profissional foi indicada como fator que merece mais atenção por 17% do público do SUS e por 21% dos que buscam a saúde suplementar.

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