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Desafio do open health está no compartilhamento de dados, diz especialista

por Redação
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Enquanto a interoperabilidade ainda carece de maior estímulo no setor de saúde, as discussões sobre um sistema open health, baseado no compartilhamento de dados, avançam, especialmente a partir da recomendação do Ministério da Saúde de emitir uma medida provisória sobre o tema e da promessa da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em lançar uma nova plataforma para facilitar a portabilidade entre os planos de saúde daqui a 90 dias.

A ideia do compartilhamento de dados, aliás, não é nova e foi inspirada no open banking, uma iniciativa que já está em andamento e é regulamentada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e o Banco Central (BC). Dentro do setor da saúde, no entanto, tal proposta predispõe uma mudança cultural importante, uma vez que a gestão de planos de saúde sempre se preocupou em preservar e manter os dados dos beneficiários em sigilo. Por isso, o ato  de compartilhar deve ser mesmo a primeira — e principal — trava a ser enfrentada para que o projeto caminhe adiante e todos entendam que o compartilhamento de dados pode ser benéfico também do ponto de vista de negócios.

“A interoperabilidade é a troca de informações entre diferentes plataformas, seguindo os preceitos da Lei Geral de Proteção de Dados [LGPD]. Por isso, para que esse intercâmbio de dados funcione bem, é  preciso que ocorra a integração de sistemas de diferentes verticais da operadora, ou até mesmo entre operadora e prestadores. Mas, se esse investimento é inevitável, o ganho também é garantido a partir de uma visão completa e holística do paciente, permitindo um plano clínico facilitado”, observa Valmir Júnior, diretor comercial de produto da MV.

Por que investir em interoperabilidade?

O diretor comercial de produto da MV diz que o benefício a que se refere é possível por uma questão simples: acesso à informação. “Com tudo no mesmo lugar e os dados agrupados, é esperado um maior engajamento do usuário médico ao sistema, o que, claro, logo é percebida em uma maior segurança do paciente.”

A interoperabilidade, nesse quesito, pode evitar retrabalhos na farmácia hospitalar, como o cadastro de interações medicamentosas em diferentes plataformas, além de reduzir o custo por não haver necessidade de refazimento de exames diagnósticos que foram realizados há pouco tempo, por exemplo. Alexandre Freire,  CTO da Sami Saúde, operadora que já faz a interoperabilidade dos dados, mediante a autorização de seus beneficiários, conta que com o compartilhamento de dados, consegue fazer a coordenação do cuidado com muito mais facilidade e redução geral de custos, já que sabe exatamente onde estão as informações do paciente, quando precisar delas.

A confiança do cliente em seu plano de saúde também será fundamental para que a interoperabilidade se expanda na medida necessária para mudar culturalmente o setor. Freire diz que há um desafio em explicar as vantagens para uma pessoa leiga. “Mas as duas maiores delas são logo percebidas por quem usa o plano de saúde: comodidade em ter os resultados de exames sempre à mão, sem precisar mais carregar pastas cheias de papéis a todos os médicos, e segurança, em saber que informações realmente importantes — como uma alergia a medicamentos — estarão disponíveis no prontuário eletrônico do paciente [PEP} independentemente de onde o paciente for se consultar”, diz ele.

Principais desafios

Para Bruno Bezerra, diretor de negócios e tecnologia da MV, diferentemente do que muitos acreditam, o maior desafio não está na tecnologia em si, uma vez que os novos softwares já usam padrões para o open health.“Talvez a maior dificuldade estrutural hoje esteja em fazer os sistemas que já funcionam trabalhar em novos padrões”, argumenta ele.

No entanto, a questão cultural é apontada como a maior dificuldade a ser superada por todos. “Até mesmo as operadoras de saúde que iniciaram projetos com o conceito RES [registro eletrônico de saúde] não colheram os benefícios imaginados por causa da resistência no compartilhamento de dados”, enfatiza Bezerra.

A integração de todos os setores da saúde, portanto, depende de uma mudança de paradigma que requer a atenção de toda a sociedade, observa ele. “Se todos nós, antes de tudo, somos potenciais pacientes e beneficiários do sistema, talvez seja a hora de nos movimentarmos para querer que o open health, de fato, saia do papel”, sugere Bezerra, ao lembrar: “nós somos os donos das nossas informações de saúde. É hora de usarmos isso a nosso favor”.

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