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Healthtechs captaram mais de US$ 106 milhões em investimentos ao longo de 2020

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Em um ano marcado pela pandemia, as startups que atuam na área da saúde naturalmente atraíram a atenção do mercado de capital de risco. O setor foi o segundo que mais recebeu aportes. No total, foram 53 rodadas de investimentos, que juntas somaram US$ 106,1 milhões de acordo com o Inside Healthtech Report, levantamento mensal realizado pelo Distrito Dataminer, braço de inteligência de mercado da empresa de inovação aberta Distrito. O montante é 70% superior aos US$ 62 milhões captados em 2019.

Apesar da tendência crescente desde 2018, o volume é inferior aos US$ 151 milhões captados em 2017, resultado recorde puxado, principalmente, pelo investimento de US$ 50 milhões na startup Dr. Consulta. Ainda que numeroso, o montante recebido pelas healthtechs em 2020 é ainda baixo quando comparado a startups de outros setores. As fintechs, por exemplo, captaram no mesmo período mais de US$ 1,7 bilhão, distribuídos em 90 rodadas.

“A indústria de healthtechs vem crescendo e amadurecendo de maneira constante e sólida. Nos últimos anos, o setor já estava atraindo a atenção de empreendedores e investidores e a pandemia acelerou ainda mais esse movimento”, afirma Gustavo Araujo, fundador de CEO do Distrito. “Os gargalos ainda são inúmeros e a tecnologia pode otimizar, com segurança, uma série de processos que até muito recentemente eram completamente analógicos. Acreditamos que ainda existe um espaço gigantesco para sua consolidação”, completa.

De acordo com o Distrito, o país abriga hoje 671 healthtechs, divididas em nove categorias distintas. A maior parte dessas startups volta-se para soluções relacionadas à gestão e prontuários eletrônicos (25%). Em seguida, temos as que atuam com acesso da informação (16,2%) e como marketplace (13,6%). As healthtechs de telemedicina (10,6%) e aquelas que se volta a farmacêuticas e diagnóstico (10,1%) também possuem fatias importantes deste mercado.

No que diz respeito à distribuição por Estados, 42% das healthtechs estão em São Paulo. Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro aparecem em seguida, com 10,8%, 8,7%, 8,1%, respectivamente. Chama a atenção a pequena ocorrência de startups voltadas para a área da saúde na região Norte do País, que abriga apenas 0,5% do total.ém-nascidas

O levantamento do Distrito lista ainda algumas das startups que nasceram no contexto de pandemia, ao longo do último ano. São elas Nilo Saúde (acesso à informação), Precavida (marketplace), Genial Care (acesso à informação), OnDoctor (telemedicina) e DiagoNow (IA e big data).

Fusões e aquisições

Ao longo de 2020, o setor foi marcado por 12 aquisições ou fusões de startups por empresas já consolidadas. Três delas foram realizadas pela Afya Educacional, que foi ao mercado atrás de startups já consolidadas (iClinic e PedMed), a fim de fortalecer seu portfólio de soluções, e também apostou em uma healthtech menor (MedPhone), que apesar dos riscos pela pouca maturidade, traz um potencial de ganhos ainda maior.

Perspectivas para 2021

Além de uma análise aprofundada sobre o que foi 2020 para as startups de saúde, o Inside Healthtech Report traça algumas projeções do setor para o próximo ano, principalmente no primeiro semestre de 2021. De acordo com esta análise, realizada a partir das informações coletadas e estatísticas traçadas mensalmente pelo time do Distrito Dataminer, o mercado de healthtechs não deve ser surpreendido com um novo unicórnio, como são chamadas as empresas que ultrapassam a marca de US$ 1 bilhão em avaliação de mercado.

“Apesar do setor ter evoluído nos últimos anos, ainda não deve ser em 2021 que teremos o primeiro unicórnio na área da saúde. A Dr. Consulta é a única exceção, com chances de captar um volume considerável neste ano, dado o seu melhor posicionamento no que diz respeito à telemedicina”, pontua Araujo, lembrando que a startup é a healthtech com o mais elevado valuation segundo as estimativas do Distrito.

Uma análise que cruza o tempo médio de captação entre as empresas do setor e o volume dos investimentos realizados, apontam ainda que as startups de saúde devem receber ao longo de 2021 ao menos 23 aportes em rodadas superiores às Series A.

O estudo traz ainda algumas apostas para a indústria de saúde. Entre elas, o surgimento de novas startups baseadas em inteligência artificial e, ainda, o fortalecimento daquelas que se voltam para a saúde mental. Ambos segmentos ganharam destaque ao longo de 2020, seja por um cenário de médicos sobrecarregados ou, de modo mais abrangente, pelas inúmeras crises ocasionadas pelo coronavírus.

Healthtech Digital Hub

O levantamento realizado pelo Distrito marca ainda o lançamento do Healthtech Digital Hub, plataforma digital de inovação aberta voltada para corporações da área da saúde. O programa permite a executivos de todo o país o acesso direto ao ecossistema que circunda o Distrito.

Além do apoio de um profissional dedicado a auxiliar as empresas em sua jornada de inovação junto ao Distrito e toda sua rede, o Healthtech Digital Hub possibilitará a cada uma delas contato direto com as startups da vertical. Pela plataforma, as empresas poderão, por exemplo, criar desafios corporativos para que as startups se candidatem e as auxiliem a resolver determinada questão que enfrentam na operação; contatar um dos parceiros globais do Distrito diretamente ou, ainda, acessar o Distrito Dataminer, a mais completa plataforma de dados do universo de startups brasileiro com mais de 12 mil delas mapeadas, buscando ali informações sobre as jovens empresas deste mercado.

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1 Comentário

  1. […] healthtechs até a data de hoje. O montante já corresponde a 49,3% do total investido em 2020, quando o setor captou mais de US$ 106 milhões. Os dados são do Inside Healthtech Report, levantamento mensal realizado pelo Distrito Dataminer, […]

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