quarta-feira, maio 22, 2024
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IoMT auxilia no telemonitoramento e reduz tempo de internações

por João Paulo Silveira
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Basta uma rápida pesquisa na internet sobre tecnologia para se deparar com o termo IoT (internet das coisas) que, basicamente, consiste em conectar o cotidiano à internet, digitalizando objetos e integrando ações. Essa tendência revolucionou a forma de trabalho de diversas áreas relacionadas à tecnologia, e tem se expandido àquelas que ainda não possuíam, mas demandavam esse olhar de transformação digital, como as ciências médicas. 

Na medicina, chamamos essa intervenção tecnológica aplicada de IoMT, sigla em inglês para internet das coisas médicas. Seguindo a mesma premissa, a IoMT se fundamenta na gestão de dados para aplicar diagnósticos mais precisos e fazer tratamentos personalizados na área da saúde utilizando tecnologias variadas. 

Em um estudo recente, a consultoria canadense RBC Capital Markets destacou que aproximadamente 30% do volume mundial de dados é gerado pelo setor de saúde. Com todo esse volume de dados, o setor de saúde foi classificado como o terceiro que mais sofreu ataques virtuais e roubo de dados no Brasil, como aponta o relatório de 2021 da Apura Cyber Intelligence. 

Esse fator é tido como uma das principais fragilidades para a área da saúde, o que demonstra o potencial e a necessidade da IoMT para gerir dados de forma integrada e em tempo real entre os profissionais, diminuindo riscos nos processos dos hospitais e, sobretudo, na telemedicina. 

Ainda segundo o estudo da RBC Capital Markets, a taxa de crescimento anual de dados para saúde atingirá 36% nos próximos três anos, fazendo com que as tecnologias de IoMT cheguem a US$ 258 bilhões no mundo todo. E para além dos dados técnicos do setor, é preciso também destacar como a IoMT impacta o tratamento e a qualidade de vida dos pacientes. Afinal, a tecnologia é sempre um meio e não a causa principal da inovação.

Com a internet das coisas médicas, diversos gadgets e aparelhos ligados a uma rede Wi-Fi, podem transmitir informações dos pacientes para os sistemas hospitalares e esse processo reduz a necessidade de diversos pacientes permanecerem internados. Com o telemonitoramento, por exemplo, os pacientes podem ter os cuidados necessários dentro de suas casas, prezando pela qualidade de vida, já que o acompanhamento acontece em tempo real, permitindo a avaliação do quadro clínico, possíveis instabilidades e atualização dos prontuários de maneira remota, dinâmica e moderna.

Além disso, a conectividade otimiza o tempo de observação e coleta de dados, permitindo que os médicos possam diagnosticar e tratar pacientes com mais agilidade e eficiência. Tudo isso, durante um atendimento individualizado e adaptado ao perfil de cada um. 

Pessoalmente, tenho desenvolvido estudos práticos sobre telemonitoramento com IoMT para pacientes que necessitam de suporte respiratório por aparelhos, e os resultados são surpreendentemente positivos: após um ano do uso do aparelho de telemonitoramento domiciliar com cobertura 24 horas, 63% de 110 pacientes apresentaram melhora clínica relacionada à ventilação mecânica, considerando frequência respiratória e modo ventilatório.

Esse é apenas um exemplo dos diversos projetos e aplicações que têm surgido na área da saúde, combinando tecnologia médica e humanização dos tratamentos cada vez mais integrados por softwares e sistemas na nuvem.

A internet das coisas médicas é, certamente, o futuro da saúde e medicina, e ferramenta fundamental para que profissionais de saúde sejam capazes de realizar diagnósticos mais precisos e melhores desfechos clínicos aos pacientes, garantindo o bem-estar, principalmente no atendimento domiciliar.

*João Paulo Silveira é especialista em fisioterapia cardiorrespiratória e liderou um estudo pioneiro no Brasil sobre telemonitoramento domiciliar utilizando IoMT, que foi destaque no European Respiratory Society Congress 2022 (ERS) em setembro deste ano.

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