quinta-feira, maio 23, 2024
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Oncologia de precisão auxilia no tratamento e busca da cura do câncer

por Paulo Pizão
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Entre outubro e novembro o câncer está mais em evidência com as campanhas Outubro Rosa e Novembro Azul. É o período quando mais a população questiona: quando será descoberta, enfim, a cura da doença? 

De um ano para o outro há muitos avanços na busca da cura do câncer. Embora a população em geral não se dê conta de que as descobertas evoluem, para os especialistas diariamente envolvidos com a questão o progresso é constante e só não é mais acelerado devido ao alto custo das pesquisas. 

Desde 2003, com o marco da apresentação dos resultados do Projeto Genoma Humano – pesquisa científica que durou 13 anos e contou com a participação de cientistas de 18 países, se descortinam revelações sobre os tumores. E essas manifestações permitem o prolongamento da vida. 

Antes do Projeto Genoma – que teve por objetivo fazer o sequenciamento das bases nitrogenadas do DNA humano –, essa área quase não apresentava novidade e a conduta dos médicos era a de tratar os sintomas e procurar o alívio para o paciente, que certamente ia morrer, para que sofresse o menos possível. 

De lá pra cá, o reconhecimento das células está claro e pode-se, através de medicação, bloquear o processo de transformação da célula normal em maligna.  

Foi a partir do Projeto Genoma que se descobriu a existência de vários tipos de tumores. Essa diversidade não é pautada apenas pela localização da incidência no corpo, mas, por exemplo, existem quatro subtipos de câncer de mama.  

Esses quatro subtipos ocorrem em toda a oncologia. Um deles é o hormonal, com o qual a medicina trata com a hormonioterapia. Tem também o genético, que é mais agressivo, mas que é responsável por um índice de 5% a 10% de acometimentos apenas. A terapia dedicada a um não surte efeito no outro. Mas, claro, a forma como cada organismo responde ao tratamento é, ainda, uma incógnita.  

O diagnóstico do tipo de câncer é feito por meio da biópsia do tumor. E, falando nosso, fica aqui um alerta: se o câncer volta em um paciente depois do tratamento que o controlou por um tempo, esse tumor recidivo deve ser rebiopsiado. Hoje em dia, é muita inocência achar que as células cancerígenas em uma pessoa não podem ter sofrido mutações.  

A oncologia de precisão é caracterizada pela terapia individualizada. A biópsia do tumor é que vai direcionar o tratamento. O desafio atual da medicina e da farmacologia é preparar uma medicação específica para cada tipo de câncer. Os estudos levam entre sete e dez anos, contando com os testes em seres humanos, para serem concluídos. O processo é gradativo e com as técnicas cada vez mais difundidas, os preços vão diminuindo com o tempo. 

O tratamento individual no alvo pode, ou não, descartar a necessidade de quimioterapia ou a radioterapia. A quimioterapia é indicada quando o risco de metástase é alto. A radioterapia é usada quando o câncer está restrito a uma área específica do organismo.  

Os pacientes em qualquer estágio da doença são beneficiados com o desenvolvimento de pesquisas. Desde o que está em fase inicial até o “incurável” ganha em esperança. Afinal, aumentar a sobrevida é vantajoso. Não raro, o período a mais de vida propiciado a um doente significa coincidir com o lançamento do novo tratamento medicamentoso que pode ser a solução praquela pessoa. Pode valer a pena a insistência na espera. O tempo está a nosso favor. 

É certo que ao Sistema Único de Saúde (SUS) as terapias avançadas, infelizmente, chegam com atraso devido ao alto custo. No entanto, a atitude de rebiopsiar é plausível e adequada aos pacientes recidivos e essa postura deve sobremaneira ser tomada.  

Sem sombra de dúvida, a ênfase dos governantes e da população deve estar no diagnóstico precoce por meio de exames largamente oferecidos, como o de mama e o de próstata, e na prevenção através de hábitos saudáveis, com os quais se previnem não só o câncer, mas também inúmeras outras doenças. O controle do câncer não está nas nossas mãos, mas a prevenção para reduzir os riscos de contraí-lo está sim e pode ser aplicado conforme as nossas escolhas.  

*Paulo Pizão é oncologista e coordena o serviço de oncologia clínica do Hospital da PUC Campinas.

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