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Após um ano de pandemia, os sistemas de saúde ainda enfrentarão os piores testes nas próximas semanas

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A pandemia de Covid-19 completou um ano e agora enfrentamos uma situação ainda mais desafiadora do que no surgimento da doença. As projeções de população infectada sugerem que o Brasil, como um todo, principalmente a região Centro-Sul, terá um aumento de casos nessa nova onda que, pela dinâmica epidemiológica, será ainda maior que as anteriores.

É difícil estimar ao certo a magnitude máxima que podem chegar o número de casos, pois as projeções de modelos epidemiológicos são tendências e não capturam todas as intervenções de políticas públicas e as restrições sanitárias tomadas. O pico de casos, entretanto, está previsto para as próximas semanas em vários estados do Sudeste, como São Paulo e Minas Gerais, e da região Sul do país.

No Brasil, de forma geral, e mesmo nos estados que já podem ter passado o pico, as previsões dos modelos indicam um patamar ainda alto de ocorrências, que deve se estender pelos meses de abril e maio, sobrecarregando o sistema de saúde público e privado. A grande questão é a preocupação dos gestores em saúde com o possível colapso da rede hospitalar por excesso de demanda, como o que ocorreu em Manaus (AM). O risco de esgotamento de instituições de saúde é real e, se ocorrer, será iminente, afetando todos os pacientes que precisarem de assistência, inclusive os que não são de Covid-19.

Abaixo mostro alguns gráficos que estimam a magnitude que a doença pode alcançar em alguns estados.

A gravidade da onda atual se explica por fatores relacionados a alterações na  transmissibilidade da doença, como por mudanças no padrão de comportamento das pessoas, relaxamento dos cuidados e pelas mutações que o vírus sofreu, como as variantes identificadas no Reino Unido, África do Sul e Manaus, que já circulam em grande parte do Brasil. Há inclusive relatos de casos de coinfecção, quando ocorre uma infecção simultânea com diferentes vírus em uma mesma pessoa.

Sendo assim, nas próximas semanas, é importante que reforcemos o cuidado para a prevenção da doença, já amplamente discutido, com o uso correto de máscaras, o isolamento social e o trabalho remoto, quando possível. As medidas são fundamentais tanto para nos prevenirmos de maneira individual quanto para o famoso achatamento da curva. É essencial também que os administradores públicos e privados atuem na direção de facilitar e reforçar essas medidas.

Vacinação

O mundo já enfrentou outras pandemias e não é novidade a extrema importância da vacinação em massa como medida de prevenção, principalmente para quem já tem indicação. A imunização não é somente uma forma de proteção contra casos individuais de Covid-19, mas uma estratégia de controle das cadeias de transmissão da epidemia como um todo.

Em tempo, vale lembrar que é sim esperado que apareçam casos da doença entre as pessoas que já foram vacinadas. Porém, quem contrai a Covid-19 após a imunização tende a apresentar uma forma mais leve da doença, com menos chance de hospitalização e risco de óbito quase nulo. Além disso, os imunizados contribuem para a redução na taxa de transmissão da doença.

Recentemente alguns países europeus suspenderam por precaução o uso da vacina de Oxford/AstraZeneca pela formação de coágulos em algumas pessoas. Apesar disso, vale ressaltar a segurança desta vacina: países europeus têm sistemas de vigilâncias de medicamentos muito rigorosos. O imunizante se mostrou seguro nos testes da fase 3 e as principais agências e instituições mundiais de saúde aprovaram sua utilização.

Durante a vigilância de eventos negativos em saúde continuada (fase 4) observou-se que, de 20 milhões de pessoas vacinadas na Europa, 37 tiveram casos reportados de coágulos, o que é um número bastante pequeno.

Diante dos números, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) recomendou a suspensão do uso, mas em entrevista coletiva na última quinta-feira (18/03), a diretora executiva da EMA, Emer Cooke, enfatizou que esta é uma vacina segura e eficaz, que seus benefícios em proteger as pessoas de mortes e hospitalizações causados pela Covid-19 superam os possíveis riscos e que ela não está associada a um aumento no risco geral de eventos tromboembólicos ou coágulos sanguíneos.

Mesmo se no futuro for confirmada alguma relação com esses eventos raros, é provável que seja de subgrupo, uma vez que os casos notificados foram quase todos em mulheres com menos de 55 anos. Ainda assim, como a Covid-19 pode ser muito grave e disseminada, os benefícios da vacina na prevenção superam bastante os riscos de efeitos colaterais.

Mauro Cardoso,  médico epidemiologista e cientista de dados do Grupo 3778, uma das principais healthtechs do país, formado pela 3778, Imtep, TEG Saúde e Implus Care.

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