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Saúde digital ainda enfrenta desafios na adoção de modelo de negócios e integração de tecnologias

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A 10ª edição da Pesquisa QI Digital PwC no setor de saúde identificou que o interesse nas tecnologias digitais aumentou nos últimos 10 anos, embora ainda avance a passos lentos no Brasil e no mundo.  Os maiores obstáculos destacados foram falta de equipe qualificada, com 63% das respostas; 59% disseram que as tecnologias estão ultrapassadas; 57% afirmaram que falta integração de tecnologia e dados novos existentes.

Esses foram alguns dados destacados por Eliana Kihara, sócia e líder do setor de saúde da PwC durante o Fórum Saúde Digital, realizado em São Paulo nesta quarta-feira, 22 de agosto. “Em 2007, quando digital significava tecnologia, o cenário era bem diferente. Hoje, com a Inteligência Artificial, realidade aumentada, Internet das Coisas, Big Data, há uma preocupação se é possível healthcare ir para a jornada digital”.

Além disso, o estudo da PwC revela que os executivos querem um retorno do investimento a curto prazo em tecnologia digital. E, ainda, diante dos obstáculos atuais e desafios regulatórios, houve um decréscimo em priorizar a experiência do cliente, quando a pesquisa revela que apenas 63% entendem que seus CEOs são líderes digitais contra 72% em 2015.

Diagnóstico digital

O cenário da pesquisa mundial da PwC reflete a realidade brasileira, com algumas diferenças na escolha do modelo de negócio, que já avançou na Europa e Estados Unidos. Os gastos com o sistema de saúde aumentam acima da inflação, além de a população brasileira aumentar a longevidade abrindo um gap entre as gerações digitais e analógicas. Assim, é senso comum que a jornada do cliente deve ser personalizada, uma vez que os perfis são distintos.

Segundo Patrícia Ellen, presidente da Optum, hoje 80% dos dados estão desestruturados e o próximo passo é saber quais e para qual uso os dados serão integrados. “Além disso, o engajamento para jornada do paciente exige também contato humano e esse trabalho deve ser melhorado”, completa.

Outra questão ainda a ser resolvida no setor de saúde é o modelo de negócio, atualmente com pagamentos realizados pelo “fee for service”, o que, na visão da CEO da Optum, não funciona. Ela defende que a remuneração seja feita com base em um modelo de pagamento usando Analytics para isso, tanto para hospitais quanto operadores.

A dificuldade na integração dos dados esbarra em vários aspectos. Um deles é a dificuldade do preenchimento do prontuário eletrônico por médicos geralmente mais antigos na profissão. Ariel Dascal, diretor de inovação da Rede D´Or afirma ser este ainda um desafio. “De um lado médicos catedráticos; e os nativos digitais, do outro. Os clientes hoje são a maioria habituada com a era digital”.

Embora defenda o modelo DRG (Diagnosis Related Group), Dascal afirma que a Rede D´Or não está preparada para implantar a metodologia, uma vez que atualmente conta com uma rede de 40 hospitais, muitos deles recém adquiridos, e que o momento atual é de expansão da companhia. “Portanto, não é o momento, porque a existe fragmentação da informação que está ainda descentralizada”.

Prevenção humanizada

Diferentes das grandes redes hospitalares, a Clínica Fares adota um modelo de jornada do paciente diferenciado. Com sede em Osasco (São Paulo), a Clínica Fares nasceu a 30 anos com uma proposta inovadora, atuando com um corpo clínico formado por mais de 300 médicos especialistas, mais de 60 cirurgiões e mais de 50 especialidades médicas. Parceiro da Rede D´Or, a jornada é pautada na inovação e o foco é na medicina humanizada, tratando a prevenção e o wellness. A clínica aposta em aplicativos de saúde e wearables regulados e validados em seus pólos inteligentes, garantindo a medicina resolutiva.

“Os Pólos Médicos reduzem a jornada do paciente, otimizam recursos, promovem a integração da cadeia de atendimento (médico, laboratório, diagnóstico, unidades de atendimento de pequena e média complexidade). A ideia é humanizar a relação médico e paciente”, explica o Dr. Adiel Fares, fundador e CEO da Clínica Fares. Segundo ele, o modelo de atendimento permite reduzir em até 50% do absenteísmo no trabalho.

A eficiência no modelo de negócio também está baseada numa plataforma denominada Banco da Vida, em desenvolvimento, com o objetivo de promover a ressignificação do paciente (estilo de vida mais saudável e mudança de hábitos) com uma jornada em um único ambiente digital. Por meio da plataforma, o cliente recebe orientação de qualidade de vida, bem-estar e saúde por meio de vídeos com especialistas e atua diretamente na prevenção e promoção da saúde.  “O paciente é o protagonista e ele quem tem o controle absoluto dos seus dados”.

Fórum Saúde Digital discute transformação digital nesta quarta, 22

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